All About Iris

08:51

Ela de novo. Há tempos escrevi um texto sobre Iris Apfel aqui no blog, mas esta mulher é um assunto que não me enjoa e sempre alimenta meu pensamento crítico e olhar sobre a moda e por isso ela está de volta a esta casa. :)

Dia desses assisti a um documentário intitulado IRIS, um material sobre a vida de Iris Apfel e sua importância no cenário da moda atual. Aos 94 anos, Iris Apfel é uma lúcida "estrela geriátrica" americana que sempre foi conhecida por lá como uma referência do design de interiores. Iris é uma empresária que, junto com o marido, montou uma fábrica de tecidos tão diferente do que existia no mercado, que assinou a decoração 9 restaurações da Casa Branca. Ela se aposentou aos 84 anos quando vendeu a companhia e, como toda sua vida social estava ligada ao trabalho, encontrou-se num certo marasmo em plena velhice.

Mas a vida de Iris mudou drasticamente quando o MET descobriu que a americana possuía um dos maiores acervos de roupas e acessórios vintage do mundo. Assim nasceu a Rara Avis, a primeira exposição do MET Museum sobre uma única pessoa (e viva!). A própria Iris Apfel escolheu as peças que seriam expostas e montou os looks. Foi um dos maiores sucessos do museu e a empresária se transformou num ícone de moda instantâneo para quem não a conhecia de outros carnavais.


Na última década Iris Apfel foi capa de inúmeras revistas, garota propaganda de marcas famosas como MAC e Kate Spade e é sempre figura certa nas semanas de moda. Como, aos 94 anos, ela consegue ter uma vida tão agitada? Ninguém compreende,  mas segundo ela, quando envelhecemos precisamos fazer um esforço ainda maior para não nos "desfragmentarmos". Precisamos ocupar a cabeça e manter o corpo funcionando por que envelhecer não é para covardes. O fato é que o documentário sobre Iris me ensinou muitas lições bem valiosas e estas são só algumas:

Mais importante do que estar bem vestida, é ser feliz. Como uma verdadeira entusiasta da criatividade e de tudo que é único e diferente, Iris nos lembra constantemente que a moda (e a vida) são eternas experiências e que é preciso manter aquele brilho infantil da imaginação a todo custo e não se levar tão a sério afinal, como a própria diz, "Coisas como a nossa saúde é que são verdadeiramente importantes. A moda não tira o meu sono".

Manter os pés no chão é o que te mantém conectada com a realidade. Apesar de hoje ser uma riquíssima aposentada, Iris continua mantendo seus hábitos de adolescente que viveu durante a Grande Depressão de 1930 que devastou a economia americana: garimpa roupas e acessórios em lojinhas de subúrbio em Nova York, compra peças vintage em feiras e brechós de rua e barganha tudo, por que né, dinheiro não dá em árvore.

Trabalhar com o que amamos é ter sorte. Iris é uma excelente compradora e usou esse talento nato para crescer na sua profissão como designer de interiores. Ela transformou sua vida numa grande viagem de garimpos, encontrando pelo mundo peças raras, obras desconhecidas, tecidos especiais e, claro, roupas. Iris é uma colecionadora e possui tantas peças de roupas e acessórios, que tem todo esse acervo espalhado entre suas duas casas, um depósito e museus.

Quando não somos "bonitas", direcionamos nossa personalidade para outras áreas. E bonito é uma questão de perspectiva. Iris fala com muita certeza: "Nunca fui bonita. Nem quando era jovem, nem quando casei. Mas nunca me importei com isso." Quando uma mulher não nasce bonita ela busca outras formas de beleza, seja através do seu intelecto, da sua criatividade ou mesmo das suas roupas. Para Iris, a beleza pode acomodar e ela gosta do que é diferente.

Você não precisa seguir roteiros. E Iris foi expert em  driblar todas as expectativas que a sociedade faz de uma mulher (ainda mais sendo nascida quase um século atrás). Iris é uma mulher contemporânea, sem os preconceitos das mentes pequenas e simplesmente viveu sua vida como quis, sem interferências machistas de como seu comportamento deveria ser. Apesar do seu longo casamento de 63 anos (seu marido Carl morreu aos 100 anos), Iris nunca quis ter filhos. "É o que se espera de qualquer mulher, mas eu não gosto de ser enquadrada em protocolos." Segundo a fashionista, ter filhos é abrir mão de algumas coisas que, para ela eram fundamentais (como sua liberdade, suas viagens constantes) e, como tudo na vida, é preciso ceder em alguma coisa. Ela preferiu viver uma vida efervescente, criativa, aventureira, fora do comum, do que ter que cuidar de filhos. E eu achei inspirador e louvável, principalmente por que nessa jornada Iris nunca esteve só: seu marido sempre foi seu maior admirador, incentivador, parceiro e amigo e a falta de filhos nunca afetou o humor contagiante do casal.

Por fim, o que vemos no documentário é a história de uma mulher cujo poder e influência emanam de toda a criatividade, inventividade e glamour que ela externaliza em forma de roupas e acessórios exóticos. Uma mente instigante dentro de um enérgico corpo de 94 anos. Uma inspiração de vida que desperta um anseio enorme de sermos únicas, individuais e extremamente fiéis ao que somos.

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2 comentários

  1. Aline Costa28.10.15

    Eu sempre gosto de tudo que você escreve por aqui Carol, mas esse vai ficar como meu texto preferido de todos os tempos. Iris que inspiração, que mulher! <3

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  2. Que texto bonito! Coincidentemente, eu tinha assistido ao documentário no Netflix um dia antes de ler o que você escreveu. Não sou muito ligada à moda, então não a conhecia bem (depois que assisti ao filme, lembrei de já tê-la visto antes). E sua ilustração ficou linda! Entrei novamente hoje só para rever o desenho e aproveitei para comentar. Um beijo e parabéns pelo blog, que conheci há pouco e achei fantástico.

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