O custo do preço justo

08:04

Imagem: fragmento de uma obra do Vacilante

• Preparem os olhos, o post é grande. •

Fim de semana passado, mais precisamente no domingo, visitei a Fábrica da Bhering, local que reúne artistas de várias esferas (moda, música, artes plásticas). Comentei aqui no blog que o lugar é sensacional e pretendo fazer uma visita sem pressa, para fotografar em detalhes aquele mundo de criatividade. Num dos muitos (e lindos) espaços que entrei, descobri o trabalho de uma estilista, Angela Brito, e me apaixonei pela coleção nova. Um vestido especificamente me chamou a atenção: era preto e branco, corte simples, mas muito, muito bonito. Perguntei o preço: R$ 1200 reais. Mas esses mil e duzentos reais vieram acompanhados de outro texto: "é feito em seda pura, alta costura, não usamos overlock no acabamento das roupas." Quando olhei para a parte interna do vestido, descobri o quão perfeito ele era. O acabamento era tão impecável que daria para vestir do avesso. 



Para quem não conhece profundamente o mundo mágico da costura, overlock é um tipo de máquina de costura que é usada para unir as partes de uma roupa e fechar essa peça, de forma que o tecido não desfie. O que a overlock faz é "aparar" o tecido, ao mesmo tempo que costura e arremata. É uma máquina muito prática e quem domina a monstrenga (tenho uma que reside na minha sala), consegue fechar várias de peças de roupa por dia. É uma máquina indispensável em qualquer linha de produção de larga escala. Com certeza a China está cheia delas.



Porém a overlock oferece um acabamento digamos, "pobre". Pobre no sentido de ser um acabamento simples que, ao virar a roupa do avesso, vemos o arremate das linhas e a emenda do pano. E sim, 90% da roupa que vestimos é fechada numa overlock. Pode virar sua blusa do avesso e observar: tem overlock. As roupas da Prosa, tem overlock, as roupas da Farm tem overlock. Quando a vendedora da loja me disse que as roupas confeccionadas não tinham esse acabamento, aquilo ressoou na minha cabeça por uns bons minutos e me fez refletir sobre o preço justo da moda.

Resolvi dividir com vocês minha reflexão sobre o assunto e estruturei 3 tipos de valor básicos de uma peça de roupa: o valor de produção, o valor percebido e o valor agregado. O valor de produção é o custo (centavo a centavo) da peça em si. O valor percebido é aquele atribuído pela cliente, conforme suas próprias referências pessoais. O valor agregado é a marca em si, o universo de experiências que a marca construiu para oferecer aquele produto. Agora vou destrinchar o raciocínio para vocês entenderem onde eu quero chegar e vou dar dados quase matemáticos, por que além de consumidora, eu agora estou do outro lado da moeda, o lado de quem produz.

Se hoje eu, Carolina Burgo, pequena empreendedora individual sem estrutura de fábrica nem costureiras fixas contratadas, quisesse confeccionar apenas um único vestido longo godê (um tipo de corte), em viscose, com estampa exclusiva (desenhada por mim, sem custo de designer), eu teria que desembolsar, aproximadamente, a seguinte soma: R$ 81 pela impressão de 3 metros de viscose (o suficiente para um vestido longo godê) + R$ 60 para desenvolver a modelagem numa profissional competente + R$ 15 de costura (se eu arrumar uma facção e fizer em grande quantidade. Uma costureira avulsa cobra uns R$ 40 por baixo) + digamos R$ 10 em aviamentos = R$ 166. Isso significa que, se eu quiser vender esse único vestido com uma margem de lucro que me permita, um dia, colocar a peça em promoção e, ainda assim, conseguir pagar os custos de produção, ele sairia por, no mínimo R$ 332. Este é o custo do meu vestido costurado em facção, com rapidez, tecido simples (viscose não é tecido nobre) e com OVERLOCK. Agora imaginem todo esse processo só que com seda pura, alta costura e horas de acabamento de alfaiataria com mão de obra especializadíssima (e rara). É claro que tem que custar R$ 1200. Aí eu entro numa loja de fast-fashion qualquer e encontro um vestido longo por R$ 89.



OITENTA E NOVE REAIS. Parece muito (e é), se pensarmos em termos de realidade brasileira, cesta básica, salário mínimo e bolsa família, etc, mas se analisarmos o mercado de moda no Brasil, a carga tributária em cima da matéria prima, fábricas, produção, energia, a falta de mão de obra qualificada, o imposto sobre as vendas, então R$ 89 é pouco. Bem pouco. Mas R$ 89 num vestido longo é considerado um preço "justo" pela maioria de nós (me incluo aqui, ok?), por que o valor que o cliente percebe diz respeito ao que ele considera coerente em relação aos seus hábitos de compra e possibilidades financeiras já que, levando para a ponta do lápis, não existe matemática certa no mundo que consiga fazer com que um vestido produzido 100% no Brasil tenha o mesmo valor de um produzido na China. Ou seja, a nossa ideia de moda acessível tem as pernas quebradas e, por mais que eu seja adepta de comprar roupa barata, hoje eu tenho plena consciência que a conta não fecha. E aí entramos em outra questão do raciocínio.

Que custo tem esse preço justo?

Esse preço justo de R$ 89 tem um custo muito sério que não sai do nosso bolso, mas tem um impacto devastador na nossa economia: a China é hoje, a maior exportadora de matéria prima e bens de consumo do mundo. Isso todo mundo sabe. O governo chinês oferece incentivo fiscal para quem quer exportar produtos chineses (isso explica a quantidade de lojas chinesas espalhadas pelo mundo) e, enquanto a China produz toneladas de viscose estampada por 1 dólar o metro, no Brasil a mesma viscose chega ao consumidor final (no caso, os produtores de roupa) entre R$ 7 e R$ 12 o metro (dependendo da praça e da qualidade da viscose) e se for estampa exclusiva e produzida em território nacional, esse valor triplica.  Então nossas lojas de fast-fashion com "preço justo" compram a viscose diretamente da China, produzem suas coleções com mão de obra escrava de lá, ou da Bolívia, ou da Índia (essa notícia é velha, ein), importam para o Brasil com custos baixíssimos (tipo, 2 ou 3 dólares a peça) e vendem pelo dito preço justo: R$ 89. Quem lucra com isso? A China, claro. Nossa produção brasileira sai perdendo feio por que é dispendiosa, tornando impossível um produtor nacional competir com os preços do gigante asiático. 



Querem um exemplo? Recentemente a dupla de estilistas de alta costura Marcela Calmon e Renata Salles, da marca carioca Filhas de Gaia, anunciou à imprensa que iria interromper sua produção de alta costura por falta de recursos.  Triste é pensar que o cenário de moda no Brasil não é mais expressivo por falta de recursos e, não pela falta de gente criativa. É de se espantar ver isto acontecer com uma marca de luxo associada à bem sucedida Maria Filó, mas o mercado de moda é difícil mesmo, e se isso acontece com uma marca com estrutura e capital, imaginem a dificuldade de sobrevivência (e crescimento!) de uma marca pequena, num mercado que tem livre acesso aos paraísos fashion do Ebay e do AliExpress? Não bastasse a inflação do país, o aumento constante do valor de todos os bens essenciais (comida, aluguel, energia, etc), ainda temos custos altíssimos de produção e dificuldade de encontrar mão de obra especializada, já que costureira é uma profissão em extinção e contratar profissionais capacitadas no Brasil, pagando um salário humano e decente, custa muito caro aos bolsos do empregador. Então como sobreviver a este cenário sem ficar, literalmente, pelada?



Imagem: Fashion Collage by Painted Perspective

É aqui que entra o último valor de uma roupa: o valor agregado. Hoje, uma marca de moda que queira fincar bandeira no mercado competitivo tem que agregar algum valor às suas peças, um valor que é intangível, impossível de mensurar, mas é o que vai fazer o consumidor optar pela compra de um bem que não é necessidade fundamental. É neste ponto que entra o marketing de moda, o branding e toda aquela parafernalha de mecanismos que as marcas criam para envolver suas consumidoras em algo além da roupa. Esse valor é a única coisa que justifica (no inconsciente do consumidor) pagar mais caro por uma peça. Esse valor agregado é um conjunto imenso de trocas e experiências que a marca proporciona para a consumidora, que vão desde a embalagem, decoração da loja, cheiro da roupa, atendimento das vendedoras, até a "persona" que essa marca representa, o estilo de vida, a música que ela "ouve", o jeito que se comunica nas redes sociais, e etc, etc, etc. E adivinhem só? Criar esse universo também tem um custo bem brasileiro.

O que eu quero dizer com todo este texto (desculpem pela prolixidade), é que muitas vezes aquilo que nos parece um preço injusto, absurdo, ridículo, às vezes é apenas um preço que não podemos pagar. Não é um preço fora da realidade, é um preço fora da NOSSA realidade. E é legítimo não poder/querer pagar 1200 reais num vestido quando temos opções mais baratinhas por aí, mas esses 1200 reais pagam, a marca, o material, o design, a qualidade, a perfeição e as inúmeras horas de trabalho impecável e sem overlock, de um artesão em extinção. Injusto é pagar R$ 300 num vestido da China, nas araras de uma fast-fashion. (ok, a gente sabe que tem marca de luxo explorando mão de obra escrava, mas não estamos discutindo isso.)

Não quero, com isto, justificar os preços abusivos que andamos vendo por aí e também não quero dizer que vou deixar de comprar em fast-fashion por que meu bolso não comporta marcas de luxo (por favor, vamos relativizar), quero apenas trazer esta reflexão: o "preço justo" da China está apertando o pescoço de milhões de pessoas, para folgar o nosso bolso. 

Beijos, Carols

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62 comentários

  1. Hellen18.9.14

    Texto maravilhoso, Carol! Principalmente a parte que vc disse que não é que seja caro, é caro pra nossa realidade, exatamente isso!
    Mas eu jurava que no fim eu ia ler "isso tudo só pra dizer que acabei levando o vestido de R$1200" HAHAHAHA #chateada #campanhavamosdarovestidopracarol

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  2. Carol Burgo18.9.14

    HAHAHAHAHAHAH muito amor pelo vestido, mas o saldo era indisponível. kkkkk quem sabe no futuro? <3

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  3. Luiza Santos18.9.14

    Nossa!! Muito interessante este texto! Parabéns,Carol,não só pro trazer looks bonitos,mas também mostrar um lado mais social da moda.
    Bjs

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  4. Amei demais o texto! Tu consegue falar tudo, do jeito que é.

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  5. Carol, parabéns pela reflexão! Gostei muito do seu texto! Já pensei em seguir uma linha de roupas próprias, inclusive estou aprendendo a costurar pra fazer isso, mas realmente, "o “preço justo” da China está apertando o pescoço de milhões de pessoas, para folgar o nosso bolso". E aí acabam com a nossa oportunidade de crescer no mercado. Mas isso é relativo, porque por exemplo, comprei um casaco seu porque reconheço o seu talento. Sei q se ele custasse mais de R$400 eu não iria comprar, mas o preço que ele custa vale cada centavo pago! Enfim, é indignante, mas é a vida... Vamos torcer para que a China saia do mercado, e que o Brasil, rico nessa base de criação, seja valorizado.

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  6. Nathalia Pirola18.9.14

    Muito bom o texto Carol! Engraçado que a primeira coisa que pensei ao ver o valor do vestido foi PUTA QUE CARO AHAHAHAH, mas nunca tinha pensado no sentido do produtor, em o quanto sai fazer uma peça de boa qualidade e com personalidade porque simplesmente o nosso país força isso. Por um dia que tenhamos salários mais altos e impostos mais baixos \o/

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  7. Poliana Moura18.9.14

    Fia, que texto massa, viu!?

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  8. Bruna Carolina18.9.14

    Carol, ótimo texto, a realidade sobre qualquer pequeno empreendedor (e não só o do mundo da moda) é muito difícil no Brasil. Nossa carga tributária precisa ser toda repensada e tem que haver uma mudança MUITO grande na estrutura dos tributos brasileiros (tributando proporcionalmente por receita e não por gasto, na minha opinião) para que a vida do pequeno empresário melhore. Isso é um fato. Eu, hoje, particularmente, acho impossível uma mudança dessa grandeza levar menos de 50 anos e não vejo nenhum interesse dos governantes em começar, mas enfim...
    Sobre o preço das coisas, em geral. Eu compro na China, compro na fast fashion e (muito raramente) compro em lojas ~~mais caras~~. O negócio é que eu penso (e tenho a impressão que muita gente também pensa assim) que quando eu compro uma roupa no tio Ali, eu compro roupa pra trabalhar, pra gastar todo dia, roupa pra exercer funções nas quais eu não quero investir dinheiro. Quando compro na fast fashion, é a roupa de ir pro barzinho com os amigos, de ir pra uma festinha, sair com o namorado... Mas quando é uma ocasião especial, aí eu gasto mais um pouco. Dá pra entender o raciocínio? Acho que na verdade toda a minha linha de pensamento é baseada no tal "valor agregado". Roupa importante pra dia importante, roupa fubazenta pra dia fubazento. hahaha

    beijo.

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  9. Ana Carolina18.9.14

    Ótimo texto, Carol!
    Antes de começar a fazer faculdade de moda, sempre achava as roupas muito caras, agora que tenho noção dos preços dos tecidos, dificuldade de costurar e ainda mais de fazer a modelagem, acho preços super justos, como nesse vestido de R$1.200,00, que além de ser bem costurado, é lindíssimo!! Até que levaria ele, se parcelassem em 12 vezes sem juros, caro pro nosso bolso, massss.... haha.
    Vou levar o texto para a faculdade, terá uma bela discussão em sala sobre preços justos ou não.
    Arrasou!! :D

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  10. Dayanne18.9.14

    LINDISSÍMO texto. Produzo bijouterias e ultimamente está quase inviável competir com a China. Não está fácil para nenhum produtor da cadeia de moda, senão bastasse todos nossos fornecedores trabalham com dólar, ele sobe os produtos sobem também. E a China? Abaixa mais um pouco para o deles sair mais baratos ainda. O aliexpress viu uma clientela brasileira cativa em seu site, com isso o revendedores de lá já pegam fotos de brasileiras e reproduzem as roupas quase 'idênticas' as que produzem por aqui com preço em torno de 80% mais barato do que se paga no Brasil. Claro que não há qualidade, mais chama a atenção das clientes. O frete vindo da china é grátis em sua grande maioria, e eu nunca conseguir enviar um produto por menos de R$15,00 frete pac no Brasil. Diversas pessoas que recebem roupas vindo na China comprada no aliexpress vem com etiqueta na C&A, ZARA e afins.

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  11. Janaína Coutinho18.9.14

    Carol, sei justamente o que vc fala. Me criei entre tecidos, linhas e agulhas pq sou filha de costureira. O que presencio hoje é a desvalorização do trabalho artesanal pq ali na loja tem uma roupa quase igual e pela metade do preço. É exatamente o que vc diz: Nosso bolso não comporta uma roupa puramente artesanal. Ela não é cara, apenas nossos salários não dão pra esse produto. Hoje a clientela de minha mãe diminuiu muito, mas ainda temos aquelas pessoas que gostam do ritual da compra do tecido, das provas...

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  12. Marina Morena18.9.14

    Nem precisa elogiar o texto,mas tive que vir aqui porque eu estudei modelagem e fiz parte de um desenvolvimento de uma pequena coleção. E entendo muito isso que você disse ! Voce explicou de uma forma muito didática que nem quem tem um minimo de noção,consegue entender a sua reflexão. Olha,você sair desse emprego fez a gente ver o quanto produtiva você pode ser nese blog ! Parabéeeeens ! Devidamente compartilhado na minha timeline.

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  13. Giovanna Silva18.9.14

    Fantástica sua colocação! O mundo carece de mais pessoas com a sua visão de vida Carol! Parabéns!!!

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  14. Natália Bellos18.9.14

    Que texto sensacional, obrigada por escrever, Carol!
    Eu parei de comprar no Aliexpress e similares... Comecei a refletir e vi que não valia a pena. Não só pq a qualidade é muito inferior, mas porque o que eu pago pela peça simplesmente não banca os custos de produção dela, ou seja, alguém (provavelmente algum trabalhador numa fábrica abarrotada de gente) tá perdendo com isso. Tá perdendo muito mais que eu, sabe? Então eu parei.
    É uma questão bem complicada, mas refletir sobre produção e consumo são pontos fundamentais.
    Parabéns, admiro seu trabalho.
    Um bjo, Natália

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  15. Texto muito bom e bem escrito. Realmente, botando assim na ponta do lápis dá pra entender melhor os valores de algumas marcas, mas como você disse, está fora da minha realidade pagar tanto por qualquer peça.

    Agora fiquei refletindo em qual vai ser o futuro da indústria de moda aqui no Brasil se as coisas continuarem como estão.

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  16. Licad18.9.14

    Concordo com tudo, Carol! Não te acho prolixa, adoro seus textos gigantes :)

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  17. Carol, que reflexão incrível! Concordo muito com você e foi isso que me fez parar de comprar na China, por exemplo! Não adianta a peça trazer benefício só pra mim e eu financiar um trabalho de exploração apenas para o meu bel prazer.

    Realmente, a questão é que certa coisas são fora de mão mesmo pro bolso da gente. O que não nos impede de comprar peças acessíveis, porém fruto de um trabalho correto, com impostos e lucros.

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  18. Marcela Rodrigues18.9.14

    Carol, achei demais o texto.
    E pode-se dizer que essa realidade se aplica não somente a vestuario, mas a tudo que é produzido no Brasil.

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  19. Deborah Lisboa18.9.14

    Belíssimo texto querida, parabéns por desvendar a trajetória de criar e produzir roupinhas!!!
    Beijocas!
    Sucesso pra Prosa!

    Deborah Lisboa

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  20. Bárbara18.9.14

    Carol, a sua reflexão é absolutamente lúcida. Que felicidade ler você. Agora eu tenho lido mais sobre moda e me preocupado que o que eu visto e calço. Com isso, tenho realizado escolhas mais conscientes. Há questão econômica que você não toca, e nem foi seu objetivo fazê-lo, que é o crescimento econômico brasileiro. Digo porque experiência própria: se uma professora da educação básica pode hoje escolher não comprar na C&A é porque a economia no país vai bem. Poder optar por ter 5 sapatos "baratinhos" (lê-se R$ 150) e comprar um modelo de couro feito a mão (por R$450) só é possível porque o país mudou. Eu mesma já comprei na China. Agora não compro mais. Comprei um sapato feito a mão e não quero de outra coisa na vida. Claro que não posso ter mais de um mas comprar um produto de qualidade e socialmente responsável faz toda a diferença. É necessário consciência política até para consumir moda. É disso que você fala. Sucesso!

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  21. Rebecca18.9.14

    Carol, seu texto foi bastante esclarecedor p mim. Sabia q qq objeto produzido no Brasil tinha um custo maior, mas nao tao ELEVADO. Realmente e injusto com o mercado nacional a entrada desses produtos c um valor tao inferior. Obrigada, por trazer conhecimento e reflexoes p as suas leitoras.

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  22. Bárbara18.9.14

    Janaína, ganhei de presente um tecido e tive o prazer de experimentar essa coisa de escolher o modelo, tira medidas, moldes, etc. Foi tão bom que agora eu comprei tecidos e estou pensando no modelo de minhas próximas roupas. Que delícia!

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  23. Suellem18.9.14

    Carol seu texto me fez refletir bastante. E acho que será tema nas minhas próximas conversas. Confesso que não tinha me atentado para essa ótica do negócio todo.
    Parabéns por levantar essa discussão.

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  24. Tema muito complicado, mas muito importante de ser discutido e colocano à tona. Muitas pessoas não fazem idéia disso e com essa cultura consumista deveriam saber! http://simsemfrescura.blogspot.com.br/

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  25. Tayná Saes18.9.14

    Gosto dos seus textos porque eu sou mega questionadora. Aí você vai escrevendo e eu vou questionando...mas você responde aos meus questionamentos no parágrafo seguinte. Ou seja: não é blablabla ou opinião, é argumentação. E, por fim, chegou no que eu sempre digo quando vejo coisas que - pra mim - são caras: "Não é um preço fora da realidade, é um preço fora da MINHA realidade" [parafraseando]. Não dá pra ser o hipócrita que diz "Nhenhenhe, mesmo que eu tivesse, eu não daria". Aham, aham, aham....zzzz...ZZZZZ..zzz...

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  26. Marina18.9.14

    Nossa, Carol, que texto sensacional! As suas reflexões são sempre tão profundas e ricas que é impossível não admirá-la cada dia mais. O seu blog é um daqueles que faço questão de ler sempre! Você é demais! Vi um comentário que me identifiquei... achei que você teria levado o vestido! hehe. Desejo muito sucesso a você e à Prosa, você merece, sua linda, querida!!! Grande beijo

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  27. Débora18.9.14

    Oi Carol. Então... há alguns dias atrás me assustei com os preços das roupas da coleção de primavera que estavam nas vitrines das lojas de um shopping aqui perto de casa: pouca coisa mesmo estava abaixo de R$200,00. E muita loja vazia. E a resposta pra esta questão (e vc endossa minha percepção neste post) está em Ali e Ebay. Tem muita gente mesmo preferindo pagar pouco por essas roupas vindas diretamente da China. É triste ver o potencial de produção que o país perde com essa concorrência desleal chinesa.

    Estou surpresa com esse dado que vc trouxe sobre o preço de um tecido estampado exclusivo, num Estado produtor como o Rio de Janeiro. Fora a tributação, o monopólio de entrega dos correios que encarece e dificulta ainda mais a fixação do preço ao consumidor de e-commerce... o governo não facilita a vida de ninguém. Muitas barreiras a vencer.

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  28. Isso aí que vc falou está muito mega claro na minha mente...realmente tem algumas marcas que cobram alguns preços fora da minha realidade, mas fazer o quê? Mas com certeza eles estão na realidade de alguém, se não não estava a venda né?
    Eu entendo (de repente, as vezes não tanto....) até a farm, mas na maoiria das coisas lá já estão fora da minha realidade, que dirá um vestido de 1200 reais...enfim..

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  29. Camyle18.9.14

    Carol sou costureira e amei esse texto, lido com isso todos os dias, pessoas que acham que toda "costureira de bairro" que é o meu caso, tem que conseguir fazer as peças hits da estação pelo preço das lojinhas de centro da cidade que trazem tudo da China ou da 25. Faço peças prontas tbm mas o que mais amo são as peças sob medida, quando recebo uma cliente e ela me fala onde vai eu piro! Imagino o lugar, monto o look na cabeça de acordo com o que ela quer, personalidade, biótipo, ocasião, amo esse processo! Com algumas clientes já fui escolher o sapato, acessórios...mas poucas pessoas valorizam o profissional que além de todos os gastos com a produção da peça, dispõe seu tempo, amor pelo que faz, gastos com cursos de aprimoramento, pesquisa enfim... para realizar a vontade dela de ter uma peça que idealizou. Uma vez passei todo o processo para fazer uma saia para uma amiga e quando encontrei com ela havia entrado numa lojinha e comprado a saia porque estava barata, e vivo brigando com minha irmã porque ela acha tudo caro, inclusive desafiei ela a passar uma tarde vendo eu começar a modelagem de uma peça do zero para ver o trabalho que ela acha que acontece na toque da varinha de condão!hahaha Ah e aqui em Floripa uma viscose estampada está em torno de 22,oo!!!

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  30. Camyle18.9.14

    Só um toque: o termo "alta costura" usamos de forma indevida pois alta costura mesmo só existe na França e é um grupo em que você precisa ser aceito, em nenhum outro lugar do mundo vai existir um atelier de "alta costura". O certo seria alta moda ou pret a porter de luxo...também demorei pra saber isso!

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  31. Nayara Alves19.9.14

    Eu amei o texto pois minhas roupas são todas feitas por costureiras na Bahia, minha mãe me criou usando roupa feito por costureiras e eu mantenho e valorizo a tradição.

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  32. Ana Carolina19.9.14

    De novo este assunto de China e trabalho escravo?!
    Tenho uma coleção de peças da Zara, fabricadas nos mais diversos países: Vietnã, Marrocos, China, tem até Argentina e Espanha....
    Pergunta se as pessoas que trabalham nessas indústrias querem que elas saiam de seus países?
    Muito bonito e romântico seu texto, Carol.
    Ocorre que a maior vilã dos altos preços cobrados pelas indústrias brasileiras chama-se carga tributária.
    Pegue uma peça comprada de uma grife americana e uma peça similar brasileira. Veja se faz muita diferença com relação a tecido, corte e acabamento?
    Não faz tanta... Mas veja a carga tributária americana e veja a brasileira...
    Viva a China que proporciona a milhares de pessoas (não só as brasileiras) a oportunidade de se inserir no contexto da moda, que, na minha opinião, tem que ser democrática.
    Moda é pra todos que querem usufruir dela. É pra todos os bolsos.
    Isso sim é justo.
    Beijos,
    Ana Carolina

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  33. Walkyria Tavares19.9.14

    Incrível, Carol! É impressionante ver tais reflexos na moda brasileira. Realmente fez refletir e repensar velhos conceitos. Ótimo texto!

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  34. Carol Burgo19.9.14

    Eu espero que você tenha entendido que eu falei justamente da carga tributária do Brasil e do custo que é produzir uma peça 100% nacional. O trabalho escravo é só um dos muitos motivos para as roupas entrarem no país a preço de banana, mas o assunto é outro e tem todos os outros pontos que mencionei, de forma nada romântica, no texto. A moda tem que ser democrática sim, mas no Brasil é difícil conseguir coisas de qualidade com preços competitivos, justamente por conta dos impostos e das tantas coisas muito baratas que chegam aqui. ;)

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  35. Carol Burgo19.9.14

    Ps: tive que adicionar esta matéria, pra você dar uma olhada: http://www.noticiasaominuto.com/mundo/238137/jovem-encontra-pedido-de-ajuda-em-etiqueta-de-roupa

    Independente da carga tributária no Brasil, a China usar mão de obra escrava para proporcionar moda "democrática" (o que é irônico, uma vez que o país é comunista e alimenta o capitalismo) não é justo, não é bonito e não é romântico, né? ;)

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  36. Renata19.9.14

    Olá. Adorei seu texto e acho bem importante vc trazer pro blog. Mas o problema pra mim foi justo no tema da carga tributária brasileira. É uma questão, todo mundo sabe, mas se o seu argumento está na economia chinesa aí o problema é outro. TODAS as economias do mundo estão sendo impactadas pela China, independente de suas cargas tributárias, leis trabalhistas, oferta de mão de obra, demanda de mercado, etc. E é só o começo. Ao meu ver a saída está justo no consumo consciente, da Loja Prosa à agricultura familiar. Mas isso dá trabalho. Nem todo mundo ta afim de pensar em comprar menos com mais qualidade e mais preocupação com as pessoas envolvidas no produto que se compra. E nem sempre é possível levar tudo isso em consideração. Parabéns pelo blog! beijos

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  37. Livia C.19.9.14

    oi, carol. tudo bem? gostei muito do texto, especialmente porque hoje cedo no jornal eu vi notícias sobre a desaceleração da economia, com índices de desemprego aumentando (nada assustador, mas ainda mais altos do que o período anterior) e inadimplência das empresas brasileiras. numa análise de economistas, um deles falou que um dos problemas da economia e que as pequenas e médias empresas brasileiras mais sentiam eram a invasão de produtos chineses com baixo preço para o consumidor final. o que faz com que os brasileiros deixem de comprar das empresas nacionais, cheias de impostos, pra comprar mais de quem traz o produto de fora bombando nos incentivos fiscais. guarde essa informação, voltarei a ela. quando você começou a sua marca, a prosa, achei demais. a iniciativa, a coragem, o espírito empreendedor e a criatividade. porque uma das coisas mais bacanas pra mim é saber que é você mesma quem desenvolve suas estampas. aí quando você lançou a coleção de biquinis, não pensei duas vezes e quis comprar. na verdade, pensei sim. pensei bastante. porque não sou uma pessoa de muitos biquinis (além de poucos, os meus são bem básicos) e sempre paguei um pouco menos por eles (costumo esperar liquidações também). enfim, mas pensei "poxa, ela tá fazendo uma coisa tão bacana, né? o o valor de produção, como você mesmo falou, devia ser alto.". resolvi investir. mas quando o produto chegou o valor percebido pra mim despencou. o meu biquini tinha uma estampa linda e um corte bacana, mas a costura estava mal feita o bojo estava meio solto. fiquei chateada. mais do que pelo valor que eu paguei (claro que isso influenciou), fiquei triste porque eu tinha acreditado que como era uma marca pequena, seu sonho, era feita com carinho e cuidado. não falei na época (às vezes dá preguiça), mas comecei a duvidar muito se deveria dar mais uma chance, sabe? acho que se a gente sabe que tem uma invasão chinesa com preços baixos tem que se dedicar o dobro pra entregar produtos brasileiros da melhor qualidade possível. para conquistar o consumidor pela qualidade (porque não vai ser pelo preço). adorei o texto, acho você bem esclarecida e espero que não leve para o lado pessoal. mas acho que é bom fazer uma autoreflexão também. não sei como está o acabamento das outras peças (não comprei mais nada fora o biquini), mas essa é a experiência do que aconteceu comigo. nem sei se você vai ler tudo, mas achei que seria bom falar. beijo!

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  38. Júlia19.9.14

    O que acontece também, Carol, é que claro que quem produz essas peças vai falar de todas as qualidades dela, comparando ao trabalho escravo, ao overlock e por aí vai... Só que não podemos aceitar tudo sem contestar. Por favor, cara, adoro você e seu blog, mas acredita em mim. Mesmo com todas as qualidades desse vestido, ele não vale esse preço MESMO. Eu queria poder um dia sentar com você e te mostrar a tabela de algumas peças da marca que trabalho, é uma marca bem conhecida e possui lojas em shoppings de luxo do Rio de Janeiro (um deles é o Rio Design Leblon e Barra), pra você ver quanto REALMENTE vale um vestido de seda com acabamento perfeito. É o meu trabalho negociar tudo isso, mas acho injusto. Uma unidade custa no máximo R$ 310,00, incluindo tecidos, costureira, tributos, tudo, tudo. E nós vendemos por R$ 2798,00. Ele é caro, sim. O preço é injusto, e não há mais o que falar.

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  39. Carolina Burgo, a senhora é foda (usando a licença poética da palavra) dia desses disse que não era bairrismo gostar de blogs da minha cidade (nossa cidade), mas pensando melhor é bairrismo sim!

    Adoro seu blog, seus textos e seu estilo em breve vamos nos conhecer e tomar um belo de um chopp em Santa Tereza ou na Rua da Moeda! Até breve!

    Beijos!

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  40. Maria Eduarda19.9.14

    Além dessa matéria que você citou tem um reality show noruegues super interessante, chamado Sweat Shop, levam 3 blogueiros famosos da noruega para conhecer o trabalho por trás dessas marcas como HeM e Zara. É chocante, tenho certeza que as pessoas que são escravas, que costuram a mesma parte de uma camisa por 14 anos, 12 horas por dia, todos os dias da semana, não dão graças à Deus por essas industrias, infelizmente eles só podem fazer isso por não terem outras oportunidades.
    O link é: http://www.aftenposten.no/webtv/serier-og-programmer/sweatshop/
    Vale a pena assistir.

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  41. Carol! Gostei muito do seu texto e acho uma maravilha vc gastar seu tempo passando esse tipo informação e trazendo assuntos relevantes pra reflexão. Infelizmente esse é o mundo capitalista, e "engolir" o outro é comum e cotidiano. Obrigada pelo texto! Bjos

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  42. Marcela de Vasconcellos20.9.14

    Carol,

    você tá mais do que certa em mencionar a carga tributária brasileira como vilã. Trabalho com Comex e tento explicar isso pra todo mundo que toca no assunto. Só que tem mais caroço nesse angu.

    - A china não produz só "porcaria" (não que você tenha dito isso, mas muita gente acha isso). Na China vc acha canetas de 10 cents e de 40 dólares. Maluco é quem quer qualidade de 40 por 0.10.

    - A carga tributária do Br é injusta porque os impostos que vc paga são mal utilizados. Quando vc paga tanto em impostos e ainda tem que pagar plano de saúde, escola, cursos e outras coisas...bom, você tá pagando duas vezes pela mesma coisa e seu dinheiro perde poder de compra.

    - O perfil do comprador mudou. Bens de consumo não são feitos para serem descartáveis. Eles são feitos para atenderem a demanda. E a demanda hoje é de coisas que sejam rápidas e tenham curta duração. POr isso as fast fashion. Porque ninguém quer uma camisa de seda branca de R$400, td mundo quer 5 camisas brancas, de R$80 cada, com detalhes minimamente diferentes, mas sim, todo mundo quer um guarda roupas lotado. Não uma peça de qualidade que dure décadas. Imagina se eu vou vestir a mesma camisa por 20 anos??

    - A China tem sim trabalho fora dos padrões brasileiros (mundiais, eu diria), não sei se chega a ser escravo mas posso afirmar que sim, muita gente trabalha em condições muito ruins. Mas e o Brasil? Eu costurava com minha mãe, fazíamos roupas pra C&a e um macacão de bebê tinha 8 bolsos, levava umas 3 horas pra ser costurado (só pregar pano em pano, pq já vinha cortado) e isso rendia R$1 por peça. Acordávamos antes do sol nascer e as máquinas eram desligadas as 6 da tarde. Se quiséssemos direitos trabalhistas deveríamos pagar INSS por conta própria, cujo valor mínimo era de R$ 180, porque autônomos pagam a sua parte e a do empregador.

    Enfim, esse comentário feat. testamento só tinha a intenção de mostrar que há mais de um vilão nessa história e um deles somos nós, consumidores.

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  43. Gabriela21.9.14

    No final das contas, isso é o preço da globalização. E serve pra todas as áreas e campos de produção. O mercado de consumo é mundial, assim como seus concorrentes. Prós e contras.
    Os impostos nacionais são patéticos (não seriam se pelo menos servissem pra alguma coisa que beneficiasse a população) e são um dos principais fatores de todo esse assunto. A burocracia tb custa caro. Vai tentar ser pesquisador de alguma coisa nesse país pra ver se consegue viver com as bolsas que se pagam (isso pq pesquisa é investimento em desenvolvimento, n é produto de consumo não essencial). Já parou pra pensar como é produzido o açúcar branquinho seu da cada dia? se os cortadores de cana tem carteira assinada ou se a colheita é feita mecanizada ou se metendo fogo em tudo? Enfim, todas as áreas de produção de qlq coisa NÃO É JUSTA. O mundo NÃO É JUSTO. Um cara rouba milhões, é condenado e tá livre e o que roubou um galinha ta apodrecendo na cadeia, é justo?
    E como se quantifica o valor da criação? o valor de uma idéia? Coisas q não tem matéria prima definida e valorada? Quanto custa o conhecimento? É justo vc chegar numa mesma loja e ver q um cropped (q tem 0,50m² de tecido) custa o mesmo preço de um vestido?
    enfim, é uma discussão muito mais ampla...mas valeu pela reflexão

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  44. Mariana22.9.14

    Concordo, Julia. É caro sim, o preço. E, sobretudo, o LUCRO é abusivo.

    Porque uma marca precisa ter um lucro tão estratosférico assim? Nunca vou entender. Aliás, entendo, mas não concordo. Nunca vou concordar em acharmos natural uma margem de lucro tão exagerada. É comum que tudo nom Brasil tenha uma margem de lucro muuuito acima dos 100%, gente! Isso não pode ser aceitável. Criticar o trabalho escravo no mundo da moda, deve vir acompanhado de uma crítica e de uma auto-crítica a respeito de como o grande capital opera.

    Dizer que os preços altos praticados no Brasil são culpa exclusivamente da alta carga tributária é uma inverdade, ou por ingenuidade ou por desonestidade mesmo. Não é só isso, gente. Outros países europeus e escandinavos também têm uma carga tributária alta, pois empregam um estado de bem estar social efetivo, às custas da contribuição da população via impostos. O que acontece no Brasil, passa um pouco, claro, pelos altos impostos, mas nem é a questão mais determinante... A questão central é: O LUCRO BRASIL, que faz com que, por exemplo, carros produzidos no Brasil sejam mais baratos no México do que no próprio país de origem. Agora lanço a pergunta: esse carro produzido aqui é mais caro por causa da alta carga tributária? E eu digo que apenas em partes! É mais caro muito por conta da margem de lucro absurdamente imoral e maior do que em qualquer outro lugar.

    Se queremos fazer a diferença, propor modelos de consumo mais responsáveis e solidários, temos que parar de jogar a culpa no macro e assumir nossa responsabilidade, ou seja, busquemos ter um lucro menor e mais justo!

    Para se informar a respieto desse CUSTO/LUCRO BRASIL, recomendo aleitura dessa matéria, bem didática: http://forum.outerspace.terra.com.br/index.php?threads/por-que-tudo-custa-t%C3%A3o-caro-no-brasil-super-interessante.329889/

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  45. Vanessa Mesquita22.9.14

    Olá, Carolzinha. Sou professora de vestuário e tenho um ateliê. Trabalho com venda de roupas sob medida desde os 16, tenho 21. As pessoas chegavam aqui pedindo horrores de uma roupa, com acabamento assim, assado, e tecido esse, aquele, daquele tipo, daquela cor e a estampa tem que ser daquele jeito. Quem dava valor aceitava a compra antes de ver uma peça pronta. Quem não dava muito, via a peça pronta no final do pedido e já vinha com mais 2 ou 3 pedidos independente do valor. Quem não dava eu simplesmente não vendia. "Mas vanessa, um vestido tipo esse na riachuello eu compro por 60 reais". Compra. Mas não compra tudo isso que uma roupa feita com carinho proporciona. Viver de moda é difícil aqui no Brasil. Mas sou teimosa e gosto. Gosto que só! E vi muitos dos meus questionamentos que só a carolzinha sabe expressar. Um chêro daqui de Recife!

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  46. Adriana23.9.14

    Parabéns pelo texto, muito realista e esclarecedor, minha mãe é costureira e entendo exatamente o que você quis dizer!!

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  47. Fernanda Medeiros23.9.14

    Sensacional o seu texto! Tenho uma loja de roupas aonde vendo peças que compro em SP e misturo com peças de produção própria, sei muito sobre o que você abordou nesse texto. Parabéns!!

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  48. Emanuella Calaça24.9.14

    Parabéns Carol, texto maravilhoso e bem reflexivo. Beijos

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  49. Raphaella26.9.14

    Excelente comentário! No Brasil perdemos poder de comprar, pagamos 2 vezes tudo.

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  50. Eu gostei muito do texto. Não consegui ler todos os comentários, mas uma coisa que me deixa indignada é ver uma roupa produzida na china ou outro país que explora sua mão de obra sendo vendida por preços altos. É pior que o caso do fast fashion, na minha visão ao menos. Ver uma polo da Calvin Klein que por mais que tenha um caimento melhor que o de uma loja grande como a C&A, ainda é feita com um tecido artificial e fechada com overlock.

    Enquanto consumidora, se for pra dar 300 reais num blusa, que ao menos seja uma blusa em tecido natural e produzida no Brasil, numa escala de produção menor. E sempre que posso optar, prefiro produções locais e independentes, do tipo que eu possa conhecer a estilista e acreditar que ela paga um valor razoável aos seus funcionários.

    E sei lá... eu preferia uma Farm da vida com um investimento em Marketing menor, mas com preços mais acessiveís.

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  51. Oi Carol. Conheci seu blog hoje (via 2Beauty) e bem... estou aqui na página 15!!!
    Adorei tudo! E inclusive me despertou uma vontade louca de ir nas feirinhas de antiguidade do Centro (eu trabalho no bairro de segunda a sexta então sempre o evito no final de semana heehhe)!
    Mas queria deixar registrado que esse seu texto foi muito bom e muito explicativo!!!!
    Parabéns pelo seu trabalho (blog + loja)!
    Bjs

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  52. Excelente comentário! (2)

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  53. Regina6.5.15

    Olá! adorei o seu texto e me identifiquei com vários trechos dele! fiquei curiosa quanto aos tecidos com estampa exclusiva que você mencionou.. será que você teria alguma empresa que pudesse recomendar? desde já agradeço!

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  54. Oi Carol,

    Como vai você?
    Li seu post e achei ele muito bom, bem escrito e claro. Você posiciona com maestria temas que passam despercebido na maioria das vezes que compramos roupas.
    Em 2014 montei uma pequena fábrica especializada em alta costura, isso faz um ano. Depois de muito trabalho conseguimos montar um time de notáveis na costura e nossas peças são muito elogiadas e estão nas melhores marcas do mercado brasileiro.
    Eu entende na pele o significado do custo Brasil e concorrer com a China é muito complicado, porém, ainda mais complicado é concorrer com as empresas brasileiras que adotam práticas ilegais, abusando de seus trabalhadores e oferecendo condições de trabalho análogas ao trabalho escravo.
    Bem em nossa fábrica todos somos iguais nos direitos, mas diferentes nos papeis desempenhados, administrar, planejar, costurar, limpar e afins. Desde o início da empresa e no primeiro dia da pessoa explico isso, somo iguais com papéis diferentes. Isso faz com que as pessoas se sintam importante e isso reflete em produtividade e qualidade.
    Estamos trilhando um caminho muito singular em um mercado está complicado, ou seja, trabalhamos bem fundo no planejamento detalhado de cada peça, usando planilhas, sistemas de gestão de projeto e sobretudo a opinião de quem vai fazer. Isso, está mostrando um luz que pode ser um alternativa para este complicado mercado da indústria têxtil do ramo da confecção, modernizar a gestão e aplicar conhecimento nos processos, só assim podemos manter a indústria gerando riquezas, sem inovação não há muita salvação!



    Um abraço,

    Milton
    www.hboson.com.br

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  55. Texto sensacional! Parabéns!

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  56. Antonia18.10.15

    Carol
    Parabéns pelo texto.
    Atualmente me deparei com esse dilema. A cliente vem me pedir um vestidos de viscose ou macacão no modelo qur ela. Mas quando dou meu preço ela leva um baita susto, afinal de contas consegue comprar um made in China por R $30,00. É impossível praticar um preço desse. Produzo o molde , corto, costuro e ainda tenho que ir comprar o tecido.
    Estou repensando minha forma de produzir. Não vai dar pra continuar nesse formato.
    Obrigada pelo texto. Demais!!

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    Respostas
    1. A minha mãe é costureira e passa pela mesma coisa. Quase não tem mais clientes, não consegue competir com os preços da China e dos outros países que produzem para os fast-fashion sem nenhuma ética.

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  57. Cris Oliveira8.2.16

    Olá Carol gostei muito da sua colocação, sou piloteira e gostaria de fazer suas peças pilotos.

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  58. Luiz Carlos Bacurau14.2.16

    Realmente, de tudo que foi falado entramos numa única questão, o problema não são o chineses, e sim nosso governo que não faz nada para mudar está realidade...não entendo nada de costura mas sei bem sobre produção e seus custos.....podemos reduzir custos com muita qualidade, mas por mais que façamos que desenvolvessemos meios para equiparar este custo, o governo vem e leva tudo....injusto com patrões empregados e até os afins(aqueles que não gostam de trabalhar)O Brasil não precisa deste tipo de mendigagem, somos vencedores , e quando nosso governo mudar, vamos ver nossos projetos crescerem e nunca mais ficaram a merce destes ladrões.... O que e deles está guardado..... Lindo texto Carol.....

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  59. Eu acredito que comparar peças de luxo com acabamento artesanal à peças produzidas em larga escala é incoerente. Primeiro que o preço de venda de um produto não é só definido pelo seu custo de produção e sim pelo valor que o consumidor atribui a ele. Este é um preceito básico do capitalismo. E segundo que a ineficiência do mercado brasileiro causada pelas políticas governamentais não tem nada a ver com o que a China está fazendo para reduzir seus custos. Se não fosse ela, milhares de pessoas não teriam tantas opções baratas de roupas. Temos que parar de ficar culpando os outros pela nossa improdutividade. A culpa não é da China, a culpa é nossa por não conseguir concorrer com ela.

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  60. Ual! Esse texto poderia ter sido escrito por mim sem tirar nem pôr Carol! Hahahaha
    Foi escrito em 2014 e continua se sendo atual!
    Beijos!

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