Um diário de vida, viagens e estilo.

look do dia: desmantelo verde-amarelo

julho 09, 2014


A Alemanha viveu duas grandes guerras mundiais. O país foi dividido e devastado, o mundo assistiu à exterminação de 6 milhões de judeus, o povo passou fome, perdeu o que tinha, viu seus monumentos históricos caindo por terra, provaram o dissabor de ver a própria nação desfeita pedaços. E depois de duas guerras, a Alemanha se ergueu, virou potência mundial novamente, exemplo de saúde, educação e disciplina, ganhou até Prêmio Nobel da Paz. Uma nação que até hoje carrega o estigma do nazismo, a vergonha histórica de um genocídio. Um genocídio. Uma tragédia. Um luto mundial. Uma vergonha. Mas foi por causa dessa lambança histórica que a Alemanhã se tornou o que é hoje: uma nação humilde, focada, unida e inspiradora. Um time! E foi esse time que ganhou ontem e que provavelmente vai ganhar essa Copa.

É triste afirmar isto, mas me parece que só uma guerra é capaz de trazer, a um povo, essa dimensão de coletividade, que é imperativo para a sobrevivência. O Brasil não sabe o que é isso, não sabe o que é perder tudo mesmo. Mas observem os países que passaram por guerras absurdas e vejam qual deles não tem essa dimensão de coletivo tão forte. Não existe. Todos, os subdesenvolvidos, emergentes ou superdesenvolvidos que passaram por guerras, sabem o que é ser uma nação. Uma enorme cabeça que acerta e erra junto. Um casamento sólido entre milhões de pessoas diferentes, juntas por um bem estar comum. Lamento informar, mas o Brasil está divorciado de si mesmo.

Hiroshima e Nagasaki devastaram o Japão, I e II Guerra Mundial devastaram a Alemanha, Revolução Comunista devastou a China... vai vendo, vai pensando. O quão "forte, impávido colosso", é a identidade desses países? O quão unido é o povo, na miséria ou na riqueza?

O Brasil não perdeu uma Copa. Perdeu o discernimento, que eu desconfio que nunca tenha tido, na verdade. Perdeu a noção do que é tragédia de verdade. A merda que acontece todo santo dia em cada esquina desse país não é suficiente para o povo perceber que um país não se faz com um só jogador nem um só presidente (não, não é só culpa da Dilma, nem do Felipão). Se faz, no nosso caso, com milhões de pessoas mimadas, mal educadas, mal informadas, desonestas, corruptas, soberbas, indisciplinadas, preconceituosas, sem humildade, que insistem em fazer o país passar vergonha pro mundo inteiro.

Ah, mas o brasileiro é um povo receptivo, caloroso, o povo mais feliz do mundo. Só que esqueceram de explicar que um povo não é uma soma de indivíduos sorridentes e sim uma amálgama humana que pensa junto, anda junto, tropeça junto, levanta junto. Uma nação não sai do estádio no meio do jogo, por que o país está perdendo. Uma nação aplaude a coragem de 11 caras que estão correndo atrás de uma merda de uma bola pra fazer o povo feliz (por que futebol alegra o brasileiro) e conforta o time em caso de derrota, por que faz parte do show. Até a Alemanha aplaudiu mais nossa seleção. Que vergonha.

"Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor"?
Claro que não. Eu tenho é vergonha de quem vaiou, quebrou, xingou, queimou bandeira. Queria eu ser parte de um povo realmente bondoso, humilde, honesto, pacífico e que...sei lá...saiba cantar o hino nacional inteiro, talvez.

No fim das contas o Brasil, país do futebol, é o país da natação: nada na própria merda, mas jura que quem cagou não foi ele.

***

Eu sei, este é um blog de moda, mas eu precisava desabafar este descontentamento que eu estou com a falta de sensibilidade do povo, da mídia, da imprensa. Capas de jornais falando de luto, vergonha, humilhação e vexame? Num dá né, gente? Eu não sou fã de futebol e não vibrei com a Copa, mas tô morrendo de vergonha do "povo" brasileiro e morrendo de admiração pela humildade da Alemanha. Merece ganhar essa Copa. E a gente merece ganhar um espelho (com lente de aumento).

Beijos, Carols
42 comentários on "look do dia: desmantelo verde-amarelo"
  1. Fabiana Silva - Ipojuca PE9.7.14

    Texto maravilhoso, Carol! Deveria estar em todos os jornais!
    Cada dia fico mais sua fã!
    Bjs!!!

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  2. Juliana9.7.14

    Oi Carol, acompanho seu blog há uns meses, mas nunca tinha comentado aqui... mas hoje decidi mudar isso! Adorei o texto, concordo com você em gênero, número e grau! Gosto de futebol e curti a Copa aqui no nosso país, mas o que você escreveu é a mais pura verdade... infelizmente. Espero que a gente consiga tirar dessa situação algo de proveitoso; não só no aspecto fo futebol, claro. A mudança é a longo prazo, muitas vezes até devagar... mas espero que a gente consiga mudar nossa realidade, pra melhor!

    Bjs

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  3. Anónimo9.7.14

    caralhoooooooo carol foi tudo q eu precisa ler p acalmar meu coração!!1

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  4. Anónimo9.7.14

    O Brasil não precisaria passar por uma guerra para ser uma verdadeira nação... é só aprender com os erros dos outros. Se houvesse educação de base consistente a consciência cidadã prevaleceria. Não vejo nada errado em gostar de futebol ou ficar feliz com o futebol. Errado é achar que a vida é só isso. O Brasil perdeu uma copa e isso mudará a nossa vida em quê? Amanhã voltarei a trabalhar para pagar as minhas contas... Só. Perder uma copa não me faz ser menos brasileira e nem de ter orgulho do meu povo simpático e hospitaleiro. A gente dá muito valor a coisas que não deveriam ser tão 'importantes'.

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    1. Seria fácil aprender com o erro dos outros, se o Brasil tivesse um pingo de empatia. Mas se não tem pelo próprio povo, que dirá pelos outros. :( A gente pensa que nada muda quando se perde uma Copa. Na prática, no nosso dia a dia, parece que não muda mesmo. Mas eu acredito que muda na autoestima do país. Não somos menos brasileiros, claro. Mas precisamos ser mais, isso sim. O esporte é uma das vias que o povo encontra para ter orgulho de si mesmo. Quando Ayrton Senna morreu, o Brasil morreu um pouquinho junto com ele e superou. Mas esses golpes na autoestima vão minando algumas coisas fundamentais e uma delas é o orgulho.

      Mas...bola pra frente que hoje é dia de trabalho normal pra todo mundo. hehehehe Beijos!!

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  5. Carol9.7.14

    Nossa Carol, vc conseguiu escrever neste texto tudo que eu penso a respeito dessa copa! Até ontem estavam falando que era a copa das copas, a mais bonita e orgulho e bla bla bla..minutos depois virou a maior vergonha do Brasil! Isso não é patriotismo! Brasileiro tem que rever os seus conceitos, além de ser péssimo perdedor! Parabéns Carol e fico feliz por ter alguém que compartilhe dos mesmos sentimentos que eu!
    Bjin

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  6. Carols, foi um texto e tanto. Te admiro por essa tua inteligência capaz de desabafar algo com palavras minuciosas. Eu desconheço qualquer tipo de acontecimento histórico, porque sempre odiei história, mas agora com nazismo pra lá e pra cá vou começar a pesquisar e estudar sobre.
    Se não se importa enviei esse texto para uns amigos e eles gostaram da sua perspectiva e até concordaram, uma que mora na Alemanha tá até fazendo um post sobre e vai contar sobre os acontecimentos de lá que muitos desconhecem.
    É triste ver que o Brasil não sabe perder e que além de tudo precisa fazer mais baderna pra chamar atenção. Não adianta colocar a culpa só no Fred, no Felipão ou em qualquer outro se continuam fazendo besteira.
    Eu gosto de futebol [qualquer um], torço, vibro e grito, mas o que foi ontem, deu vergonha da equipe que jogou desmotivada e sem garra, a Alemanha pelo lado futebolístico ganhou merecidamente.

    Beijos!

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  7. Anónimo9.7.14

    A seleção masculina de vôlei perdeu o Mundial de 2013, a de basquete também perdeu o mundial de 2010, se bem que as meninas do vôlei ganharam o mundial ano passado (mas quem liga para esportes femininos no Brasil???? Qual é a seleção campeã da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2011????), não estamos nem os 20 melhores no ranking mundial de tenistas...
    Alguém por favor me explique esta total insatisfação com a política aliada a um campeonato esportivo? Principalmente após 20 participações do Brasil na Copa.
    Não concordo com a situação política brasileira de hoje, mas tem muito tempo que percebi isso...aliás muito antes do pentacampeonato.

    Carol te adoro, desculpe se usei seu blog para este desabafo!

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    1. Verdade!! Ontem comentei com meus amigos que o Brasil arrasa no vôlei e ninguém nem percebe direito. O país do futebol é o país de tantas coisas boas né? Mas é negligente e só sabe xingar. :/ Espero que um dia isso mude. <3

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  8. Anónimo9.7.14

    Todos os dias perdemos em edução, com professores mal pagos e crianças com 10 anos que não sabem ler e nem escrever o próprio nome... perdermos pessoas queridas em hospitais sem infraestrutura, perdemos em segurança, perdemos no transporte público, onde nos sentimos desrespeitados por pagar uma pequena fortuna pela passagem e correr o risco de chegar atrasado aos compromissos... Temos tantas derrotas diariamente e não reagimos (ou quando reagimos é depredando aquilo que é feito com o nosso próprio $$), rimos e fazemos piadas... Só não aceitamos perder no futebol. Temos muito a aprender.

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  9. Anónimo9.7.14

    Carol! Sou muito fa do seu blog, venho diariamente. E ler um desabafo seu, eh como fazer um desabafo meu! Concordo plenamente com tudo o que vc falou....parabens pelo blog, prabens por escrever tao bem, eu amo ler o que vc escreve. Tenho um caderno onde anoto coisas das quais me identifico. E apesar de nao fazer comentarios, to sempre aqui. Desejo vida longa a esse blog, que pra mim vai alem da moda, eh cultura! Bjao! Janaina.

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  10. Carol sou leitora assídua do seu blog, mas quase nunca comento, porém diante deste texto seu de hoje é impossível não comentar. Sintetizaste tudo o que penso !! Não sinto vergonha deste resultado de jogo, sinto vergonha de fazer parte de uma sociedade que não possui valores básicos como respeito ao próximo e valorização do esforço. Perdemos em tanta coisa maior da Alemanha - Temos uma derrota de mais de 100 prêmios nobels dele contra nenhum nosso - O que são 7X 1 no Futebol. Nos resta torcer para que um dia deixemos de nos comportar como crianças mimadas que perderam seu doce !!

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  11. Kika9.7.14

    É isso aí Carol!!! Pra mim particularmente, esse resultado de ontem foi importantissímo para medirmos um monte de coisas em nós mesmos, em vários aspectos... Adorei seu texto!

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  12. Anónimo9.7.14

    Não sei o que vc ainda tá fazendo no Brasil? Vc só fala mal dele, entendo q pra quem foi criada na Europa isso aqui deve ser um lixo mesmo, mas é daqui q sai seu sustento, é aqui q vc conseguiu conquistar um público enorme (inclusive eu) com seu carisma e criatividade. Desculpa é só uma opinião, mas às vezes acho q vc desmerece um pouquinho o povo q te admira. O q tb não quer dizer q eu concorde com copa, dilma e etc, pelo contrário sou totalmente contra a copa, midia e tantas outras coisas. Nao to escrevendo pra comprar briga, somente um olhar diferente

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  13. SENSACIONAL, como sempre são seus textos!!!!
    Bjão!

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  14. Carolzinha ♥ falou tudo!! Ano passado, tivemos o "movimento vem pra rua, o gigante acordou, bla bla bla bla", mas a cultura, ou melhor, a falta dela ainda é muito grande! a ignorância prevalece e as pessoas confundem tudo! é muito triste!! bjbjbj lindona

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  15. Anónimo9.7.14

    Falou tudo. Vaiar aqueles brasileiros, os únicos que foram lá e realmente trabalharam e suaram por esse título, depois de tudo que eles já tinham passado, adiantava alguma coisa? Como se tivesse sido de propósito. Como se não tivessem se esforçado o suficiente, como se não tivessem dado a devida importância. Absurdo total. Ninguém queria ganhar mais que eles. Ninguém tava mais arrasado que eles. Reconhecimento e gratidão zero. Uma falta de sensibilidade imensurável.

    Bj
    Vivis

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  16. Parabens, Carol. Lindo texto. Eh muito bom saber que ainda existe gente inteligente neste pais. Minha filha ja eh tua fa e eu passo a ser. Bj.

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  17. Parabéns Carol!
    Vc sempre escreve muitíssimo bem e hoje não foi exceção!
    A Alemanha tem saúde, educação, cultura, tecnologia...
    E nós? Somos o país do futebol!

    Tudo de bom p vc sempre!

    Mírian.

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  18. Anónimo9.7.14

    Confesso que quando comecei a ler virei os olhos e pensei "ai, não, mais um texto derrotista não! Não aqui." Mas você, mais uma vez, me surpreendeu positivamente, Carol.
    Acompanho futebol desde que me lembro e poucas vezes fiquei tão frustrada com um resultado. Foi decepcionante, claro. Mas o que me entristeceu de verdade foi ver as diversas reações pela internet. Um desrespeito absurdo por parte da imprensa, dos """""fãs"""", de vários candidatos, de vários partidos, se aproveitando do momento pra fazer politicagem. Um nojo. Quem dera esses milhões se mobilizassem assim pelo que realmente importa, quem dera existisse esse espelho e as pessoas se dessem conta do peso que é diminuir alguém, independente da função que exerce e da visibilidade que atrai. E isso vale pra várias outras situações fora do âmbito do futebol.
    Obrigada por esse desabafo, me contemplou e tirou o que tava entalado na garganta desde ontem.

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  19. Carol9.7.14

    Que reflexão lúcida, Carol! Enquanto os brasileiros não entenderem o conceito de país, que é a SOMATÓRIA de um território e de uma nação, viveremos tropeçando em nossa própria ignorância, acreditando que amar à pátria é cantar metade do hino nacional (esvaziado nos gritos atravessados, como em um show de rock) e, nas férias, fazer compras em Miami, sonhando em viver em outro país! Lembrando que a seleção de futebol não é a única do nosso país! Existem outros esportes, outras histórias, outros contextos e infinitas formas de demonstrar amor ao Brasil!

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  20. Anónimo9.7.14

    Oi!
    Olha, Carol, concordo com QUASE tudo expresso no texto, MAS, veja bem, terminar dizendo que tem vergonha de ser brasileira é um pouco demais, até porque é contraditório! Sim contraditório, pois vai contra tudo o que o texto diz. Ou será que não? Afinal quando afirmas "Eu tenho é vergonha de quem vaiou, quebrou, xingou, queimou bandeira." empregas o pronome EU, primeira pessoa do singular, que nada mais é do que a palavra da língua portuguesa que serve para designar o indivíduo e, a meu ver, nada mais do que (traduz e) comunga com esta mesma atitude que tu criticaste: individualista e egoísta! Postura de quem não tem nenhuma noção da diferença que existe entre pátria (terra mãe construída pelo trabalho coletivo de um povo) e nação ("invenção" do estado). E, que me desculpem os fanáticos pela bolinha nervosa e gramado verde, atitude de patriotas (?) sazonais, isto é, gente veste o amor pela pátria de quatro em quatro anos e que não percebe que isso tudo (essa avalanche de copa na mídia) não passa de jogo de cena, de um espetáculo para o mundo assistir, perpetuando assim velhas imagens construídas do nosso país lá fora, e para os brasileiro verem e se esquecerem do que realmente tem importância. Tu afirmas, no finalzinho do teu texto "Queria eu ser parte de um povo realmente bondoso, humilde, honesto, pacífico e que...sei lá...saiba cantar o hino nacional inteiro, talvez." Bom, se é isso mesmo o que tu queres, sê bem-vinda! Faz a tua parte, seja a diferença e não mede uma pátria inteira pela atitude de alguns (esse país é graaaaaande) e tem muito mais gente do que a galera que aparece chorando, queimando e facebookeando a perda do hexa. Ou, pelo, não esquece de não colocar todo mundo - todos os brasileiros, no caso - no mesmo saco: me ofendi com o que tu disse, pois eu busco ser a diferença que espero nos outros e tento ser a filha da pátria que eu gostaria que todos fossem. Por fim: ao contrário de alguns que te mandaram embora ou te perguntaram "o que você está fazendo aqui (no Brasil)?", não gostaria de perder uma brasileira que nem tu, que questiona, joga lenha na fogueira do descontentamento e traz o que pensa à tona. Pelo contrário, espero não termos que passar por uma guerra, ou um genocídio, qualquer coisa assim. Espero que possamos aprender com os erros dos outros e creio que este caminho (o do debate) possa nos levar até este "lugar" e, para tanto, gente assim ( como tu) são imprescindíveis.

    Grata,
    Juju

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    1. Oi Juju! obrigada pelo comentário e por instigar esse debate. :D

      Em primeiro lugar, eu tenho que falar em primeira pessoa por que este é um texto pessoal. Não vou falar "nós, brasileiros temos vergonha de quem xingou" e depois alguém vir aqui me dizer que eu estou querendo falar por uma nação inteira, que tem gente com opinião diferente, que tem que xingar mesmo, etc etc. Então, neste caso, o emprego do "eu" é para mostrar a minha opinião pessoal e sim, tenho vergonha do que eu vejo nas capas dos jornais todos os dias, independente de ser copa do mundo ou não.

      É óbvio que existem exceções à regra e que muitos milhões de brasileiros são íntegros, honestos e etc, mas você não precisa se ofender com os outros milhões que eu estou criticando, uma vez que você não se encaixa nesse grupo. Na minha cabeça as coisas funcionam assim: eu não me ofendo com uma carapuça que simplesmente não me serve. Entende?

      Eu fui criada fora, mas adoro morar no Brasil e não penso em sair daqui. No entanto isso não faz de mim uma pessoa cega ao que acontece no meu país e até hoje não me acostumei com as atrocidades que ocorrem todos os dias. Uma vez aprendi uma coisa muito certa com a minha mãe: "nunca se compare com o problema dos outros. seja sempre melhor." Acho que no Brasil temos um recalque velado e sempre justificamos nossas falhas com o argumento de que tal país é pior, ou tal povo é assim ou assado. Mas a comparação com coisas que funcionam em outros lugares, deveria ser motivo de reflexão e aprendizado e nunca um motivo pra dizerem: tá achando ruim, vai embora.

      Concordo com você, não precisamos de um genocídio pra fazer as coisas direito. Precisamos de uma postura que pare de culpar o estado, o governo, as escolas, whaterver, dos nossos problemas, quando o maior problema é o da conduta coletiva, o modus operandi da sociedade como um todo. Uma das coisas que mais me chocou quando cheguei ao Brasil, foi a capacidade de se fazer piada das piores tragédias. Até hoje não compreendo como as pessoas riem da desgraça dos outros. Me parece que é uma forma de anestesia generalizada que corrobora o comportamento negligente.

      Eu faço o meu melhor e se você também faz, então estamos no mesmo barco do bem. Mas eu tenho vergonha sim do que eu vejo (principalmente na nossa mídia, que é a maior influenciadora de comportamento) todos os dias e não somente em relação à Copa. Tenho vergonha das opções de governantes que temos para votar, tenho vergonha dos salários dos professores, tenho vergonha dos pais que acham que a escola é obrigada a dar educação para seus filhos, quando na verdade educação você tem em casa, a escola tem que dar estudo. Tenho vergonha de ver o jeitinho brasileiro agindo em todas as esferas sociais, tenho vergonha da corrupção que existe em tudo, até naquela carteira de estudante falsificada, tenho vergonha da violência truculenta e gratuita em cada esquina, tenho vergonha de cada vez que eu escuto: "ah, cara, deixa de ser besta! você não sabe tirar vantagem das coisas..."

      Sério Juju, eu não acho normal esse comportamento onde o certo e o errado são apenas pontos de vista e servem aos propósitos pessoais de cada um, e não é por que fui criada fora ou por que sou crítica ou menos patriota. Apenas sinto vergonha disso tudo que me parece tão gritante e banal no Brasil. Quem está aqui dentro desde sempre, às vezes nem percebe. Mas basta você sair do país, pra perceber que o brasileiro não tem a fama que tem lá fora, à toa. De verdade.

      Enfim. A gente poderia sentar numa mesa de bar e conversar sobre isso até 2015! heheheheh Adoro gente inteligente, que tem conversa boa até num comentário de blog!!

      beijos enormes!

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    2. Anónimo10.7.14

      Beijo, guria! Até...

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  21. Anónimo9.7.14

    Arrasou !

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  22. Muito pertinente sua colocação, Carol. Parabéns pelo texto.

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  23. Concordo da primeira a ultima palavra. Obrigada por expressar tudo aquilo que tava dentro de mim e não saía.

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  24. Anónimo10.7.14

    Gente, não tivemos um genocídio na Brasil????????????? E os índios??????????????? E os negros?????????????? O que temos mesmo que nos envergonhar não é perder de sete para a Alemanha que em um período da história também teve um triste acontecimento: HOLOCAUSTO. Pergunta para os judeus o que a Alemanha representa até hoje para eles. A história não pode ser negada. O que devemos nos envergonhar são quase três séculos de ESCRAVIDÃO. A história não pode ser negada. O que devemos envergonhar foi o extermínio dos primeiros habitantes de Brasil pela EUROPA colonizadora. A história não pode ser negada. Perder faz parte, tanto no ESPORTE,como na vida... portanto, estou triste porque amo FUTEBOL e amo e a minha SELEÇÃO, mas não estou desesperada e nem crucificando ninguém... estou serena como nunca estive... sei que não será a única derrota da Seleção e ciente também que vitórias acontecerão, assim como sei que a vida me mostrará minha fragilidade humana e minha pequenez, como também me proporcionará momentos de vencer meus limites... quem tá na chuva é para se molhar... não adianta tentar fugir da vida, ela é mais forte do que a gente e é fêmea... desconfio até que tem útero também rsrsrsrsrsrrs ... A Seleção Brasileira nascerá e renascerá tão certa como a morte... Ela é fêmea... já o BRASIL... o Brasil precisará de úteros no poder para ser um país mais feliz de nascer ... e morrer ...Vamos parar com nosso complexo de vira-lata, temos nossas mazelas sociais, sim. Mas até a poderosa Alemanha tá com um índice de 10% de analfabetismo. 10% !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Os Estados Unidos estão tá aumentando cada vez mais a prisão de pessoas negras. Tão racista quanto. A única coisa diferente é que lá o racismo é escancarado e não velado como aqui. Aqui temos o mito da democracia racial. Tem um país que as mulheres são assassinadas e estupradas diariamente, coisa banalizada. Aqui também. Só que aqui podemos lutar contra o machismo abertamente. Lá, até isso é tirado delas. O futebol faz parte da identidade brasileira, mas ainda somos um país que durante 500 anos, a educação foi elitizada. Tem muita coisa que avançar. Tem sim. Mas vejo uma universidade mais popular e negra e indígena também. Povos que precisam ocupar seus espaços de poder, espaços sociais, culturais...O que não concordo é querer tirar o meu direito de amar esporte, de amar meu futebol, minha Seleção porque ainda não temos um país de primeiro mundo em termos de divisão justa de renda, mas temos um povo heroico, sim. O que acontece é que a participação popular sempre foi negada nos livros que estudamos na escola... Preferimos sempre idolatrar uma única pessoa: Tiradentes, D. Pedro I... mas é uma história mentirosa, muita coisa aconteceu no Brasil por que o povo, a coletividade lutou.Exemplo disso são os MOVIMENTOS NEGROS... Não tenho vergonha de ser brasileira... adoro meu país e não adoro só na COPA, adoro no dia a dia de minha vida, por isso participo de vários movimentos sociais para torná-lo melhor, engana-se quem pensa que algo vai ser feito sem a efetiva participação popular. Não adianta só a criticar, é preciso organizar-se para conseguir conquistas sociais... Movimentos de Mulheres, MST, Movimentos de Negros, Movimentos Indígenas, Movimentos de Gays, lésbicas... Eu acredito no coletivo, na coletividade...
    Glória

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    1. Anónimo12.7.14

      "Não adianta só a criticar, é preciso organizar-se para conseguir conquistas sociais". Completamente verdade.

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  25. Carol,

    Tivemos e ainda temos os nossos genocídios: somos a nação que mais negros escravizou e por mais tempo (sem dizer do genocídio cotidiano contra a pop. negra desse país)! Tivemos um genocídio imenso da nossa população indígena, igual ou maior que qualquer genocídio de judeus na Alemanha.

    Sim, tivemos varias guerras/revoltas no nosso país, várias delas que construíram as nossas fronteiras e que mataram os nossos indígenas.

    Não dá para comparar as histórias de duas nações tão distintas quanto a Alemanha e o Brasil, historicamente falando as diferenças são tão imensas que colocar as duas em um mesmo patamar de comparações é incorrer em grandes equívocos.

    Carol, o Brasil é imenso, trabalho viajando pelo país todo, com populações rurais, indígenas e de periferia, e posso te afirmar, são pessoas muito diferentes da classe médica carioca, nordestina ou paulista; é uma galera que não aparece na Globo, nos estádios, mas que também fazem dessa nação algo muito especial e único.

    Conheço e já trabalhei com alemães, e olha, vou te dizer, eles se encantam com o nosso país, apesar das nossas mazelas (olha, eles tb as tem!) e da parte podre da nossa população.

    Conheço outros países e sei que muito do que se fala por aqui a respeito das "maravilhas" dos países desenvolvidos, não passa de um simulacro da realidade real, ou um desejo, quase infantil, de sermos como os nosso colonizadores.

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  26. Sensacional a tua exposição dos fatos.

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  27. Anónimo10.7.14

    Carol, não entenda meu comentário como uma crítica negativa, mas fiquei inquieta ao ler seu texto.
    Quer dizer que a seleção alemã só ganhou por causa de sua história? Por ter se erguido após uma “lambança histórica”? Por ter se unido após a tragédia que foi o nazismo? Me desculpe, mas acho o que ocorreu antes de ontem foi só futebol. Se o Brasil, por exemplo, tivesse um bom time, uma boa técnica, um bom esquema tático, e, por conta disso, tivesse ganhado o jogo de ontem, ou se tivesse ganhado a Copa, isso significaria que nosso país é uma potência? Isso significaria que temos educação? Que temos saúde? Que temos infraestrutura? Que ganhamos bons salários, que exterminamos a pobreza? Não! Isso significaria que temos um bom time. Claro que a Alemanha tem sim todos os méritos que você disse, se tornou uma nação “humilde, focada, unida e inspiradora”, apesar de tudo, mas não é o futebol que vai ratificar isso, futebol é apenas um esporte, não retrata uma nação.
    Noutra senda, se a guerra trouxesse ao povo uma dimensão de coletividade, Israel seria o maior exemplo de coletividade que teríamos hoje. Eles fazem guerra desde de que o mundo é mundo. Com certeza a guerra deve trazer muitas lições, mas não! Eu não gostaria que o Brasil tivesse passado por uma para aprender essas lições, pois elas não viriam sozinhas, eles viriam com pecha da destruição e demonstrariam, ao final, a burrice e prepotência de quem se julga melhor e superior, como acontece em todas as guerras. A vida de milhões de pessoas não me parece o melhor caminho para trazer a dimensão de coletividade a uma nação. A China pode até ser forte economicamente, um país rico, mas às custas de uma ditadura, reside ali uma nação sem voz, submissa, perseguida, oprimida, que sequer pode usar livremente a internet.
    Discordo também da sua opinião sobre o brasileiro: “pessoas mimadas, mal educadas, mal informadas, desonestas, corruptas, soberbas, indisciplinadas, preconceituosas, sem humildade.” Todas essas qualidades são privilégio de quem tem grana, de parte mínima da nossa população. O pobre lascado que tá sofrendo nas esquinas não pode se dar ao luxo de ser mimado, ele não tem o que comer; não é mal educado, pois sequer teve educação; o mesmo eu diria quanto à informação, isso nunca lhe pertenceu; também acredito ser difícil sentir-se soberbo quando não se é dono nem do papelão no qual se dorme, quando sua casa todo ano é levada pelas cheias, quando todo Ano Novo, vai-se ao enterro de mais um vizinho devido às fortes chuvas, quando, apesar de agricultor, você não vê uma folha verde e um gado gordo há anos.
    Agora imagine que apesar disso tudo esse povo é receptivo, caloroso, sorridente, feliz e recebe todo mundo com muito amor.
    Com certeza, sair do estádio no meio do jogo e queimar a bandeira do seu país por um jogo de futebol não se justifica. Mas entendo a decepção do brasileiro com a sua seleção de futebol masculino. Sou uma das que não apoia e não vou (e não quero) confortar esse time. Acho que o povo brasileiro tem sim que mostrar sua insatisfação, com educação, claro. Não é assim que se educa um filho? Apontando seus erros? Não temos que engolir qualquer coisa sem senso crítico. O que eu gostaria mesmo é que o povo criticasse com tanta veemência nossos políticos, nossos planos de governo, nossas leis, gostaria que o povo não calasse a boca, não parasse de discutir esse assunto, assim como ontem a derrota no jogo de futebol era a matéria em pauta em todas as padarias, em todos os restaurantes, em todas as repartições, em todos os bares. Concordo plenamente que tragédia não é perder um jogo, e sim é o que acontece todos os dias nas nossas esquinas, nos becos, vielas, invasões, favelas, hospitais e até mesmo em nossas escolas. Mas não é por isso que nós, brasileiros, não podemos criticar um time de qualquer esporte.
    Enfim, esse espaço não é meu, é seu, mas peço licença para desabafar também. Espero que não considere ofensiva a minha opinião.
    Moara Galvão

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    1. Anónimo10.7.14

      Concordo contigo!

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    2. Anónimo11.7.14

      Também penso assim. Acho q não é por aí... muito boa sua colocação. Com todo respeito ao blog.
      paty

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  28. Anónimo10.7.14

    Texto sensacional!!!

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  29. Anónimo11.7.14

    Você sabia que a Alemanha tem um índice altíssimo de analfabetos? Sério, a própria ONU reconheceu...diz que 1 a cada 7 crianças sai da escola (eles passam obrigatoriamente 9 anos na escola e mesmo assim saem da escola) sem saber ler nem escrever...O motivo disso é que, se os alunos possuem problemas de aprendizado e não aprendem a ler no 1o ano de ensino, são deixadas de lado pelos professores.
    Fonte: http://www.sueddeutsche.de/bildung/analphabetismus-in-deutschland-wenn-worte-zur-qual-werden-1.1566693

    Sabia que um jornal alemão publicou uma matéria que dizia que os alemães deviam se preocupar menos com futebol e mais com a educação decadente do país? Infelizmente, não tô achando o link agora :/

    Enfim, todos os países possuem problemas, a gente que finge que qualquer lugar é melhor do que o Brasil (que é tido como exemplo na luta contra a AIDS, que já exterminou várias doenças que ainda existem em países desenvolvidos, como eua e alemanha, entre outras). Temos problemas? MUITOS. Temos qualidades? MUITAS.

    Mas só se fala no Brasil na hora de falar mal.

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    1. Anónimo17.7.14

      esse comentário me lembrou aquelas mães de delinquentes que apontam os erros dos filhos dos outros na tentativa de amenizar as ações e reputação de seu filho.

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    2. Anónimo21.7.14

      Quando se usa o filho dos outros pra tentar diminuir o seu, talvez.

      Na real, o que vejo é falta de informação sobre tudo, mas opiniões sobrando. Quer falar mal do Brasil? Fale, mas sem querer comparar com outros, não trazendo todas as informações para basear o que você fala.

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  30. Rebecca12.7.14

    Texto perfeito! Concordo plenamente c vc: a humildade da Alemanha e um tapa d luvas na nacao brasileira! E vamos parar d tristeza pq a Alemanha NAO tirou o Brasil da Copa. A propria selecao (despreparada e alienada como a maior parte dos brasileiros) e q nao teve condicoes d disputar uma final. Torcendo p a Alemanha - verdadeiro exemplo d superacao - ganhar esta Copa!

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  31. Anónimo12.7.14

    A gloriosa seleção do Tri de 1970, a melhor de todos os tempos, foi formada quando o país vivia sob o pior regime de todos os tempos. Era o auge da tortura, das execuções, da perseguição política. Era uma economia que crescia – mas concentrava renda e ampliava a desigualdade entre os brasileiros. O jogo de Pelé, Tostão, Gerson & os outros era um retrato do futebol Brasil da época. Sua melhor geração na historia.
    Mas atuava em outra esfera, ou estratosfera.
    Não serve como elogio a tortura – como tentava fazer a propaganda Ame-o ou Deixe-o.

    A Seleção do Brasil de 2014 é um retrato de nosso futebol. Era um time que jogava aos trancos e barrancos, que contava com a sorte,caneladas e gols estranhos para avançar e chegar até onde fosse possível. Nunca prometeu mais do que isso -- embora fosse possível, como já aconteceu em outras copas, imaginar um resultado melhor.
    Comparar o 7 a 1 do Mineirão com o Brasil real é um exercício primário de marketing e ignorância política.
    Até porque é preciso ter perdido todo contato com a realidade social e econômica do país para imaginar que a partir de 2003 o Brasil sofreu, como nação, qualquer coisa que possa ser comparada a uma goleada. A renda está melhor distribuída. O desemprego é um dos mais baixos do mundo. O ensino superior nunca cresceu tanto – nem de forma tão rápida.E as escolas técnicas? E a política de habitação popular?
    Vamos olhar para o que é importante. Futebol é símbolo, ensina a metáfora Patria de Chuteiras, de Nelson Rodrigues. Aumenta nossa alegria, o afeto, a vontade de rir. Mas não pode encobrir a realidade cotidiana, nem para o bem, nem para o mal.
    Mas o esforço para transferir o 7 a 1 para o cotidiano dos brasileiros está em outros lugares.
    Lendo apenas as manchetes dos jornais de hoje, você encontra palavras humilhantes: “Vergonha, vexame, humilhação.” Ou: “ Um vexame para a eternidade.” Ou: “a partir derrota da história.” Ou ainda: “Humilhação em casa.”
    Vamos combinar. Há momentos em que é preciso separar a vida real da literatura – ou do futebol. Paulo Moreira Leite

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