Um diário de vida, viagens e estilo.

tocando de biquini sem parar

junho 28, 2013
Uma homenagem à letra original: "tocando BB King sem parar"


Uma vez li uma entrevista com Francesca Sozzani, editora-chefe da Vogue Itália e uma das mulheres mais poderosas do mundo da moda, onde ela comentava sobre a moda brasileira. Resumidamente, ela falou que o Brasil não tem uma cultura fashion, que daqui não saem criações originais, mas sim releituras de tudo o que é mostrado nas passarelas internacionais. Eu concordo que o que vemos nas lojas são, na maioria das vezes, inspirações de grandes marcas, mas por outro lado discordo quando vejo conterrâneos como Melk Z-Da fazendo desfiles suuuuper originais (até hoje não supero o espanto pela coleção outono/inverno 2010). Enfim.

De vez em quando eu visito umas revistas gringas online pra ver "o que tá rolando" e ontem me deparei com uma matéria da Elle com o tema: "looks para você usar nas férias, seja qual for o lugar". Até aí nada de mais. Escolhi alguns looks que achei bem bacanas e apropriados.


Ok. Aí chegamos ao look "chileno" e eu me pergunto se realmente rola usar esse outfit no Chile. Mas vamos relevar, pelo fato de ser uma revista de moda onde a licença poética da arte, muitas vezes supera a verdadeira aplicação à realidade. É para isso que existem as revistas de moda: para inspirar!

Depois de ver vários looks de várias capitais badaladas do mundo, quase caí da cadeira quando, finalmente, mostram a sugestão de look para o Rio de Janeiro. Observem:

Sério. WTF? Eu poderia me ater apenas a comentar o biquini medonho e nada carioca que escolheram para estampar a matéria e dizer que tiveram preguiça de pesquisar marcas bacanas de biquinis brasileiros, mas eu vou ser ainda mais chata e vou reclamar que: porra, Elle, a gente não vive de biquini! É natural que o Brasil tenha essa imagem de praia, água de côco e banhos de mar, mas mesmo no país onde "não há cultura de moda", as pessoas tambem se vestem, ora bolas!

Não vou nem entrar no mérito de colocar Glória Coelho, Huis Clos ou Isabela Capeto na lista de sugestões de looks para Rio, vou só colocar uma Farm da vida, que já está bem à altura do resto da publicação e é a cara do Rio de Janeiro, ok?


Esta publicação da Elle me fez chegar a uma conclusão: não existe assunto desinteressante, existe gente que não se interessa por determinado assunto e, sinceramente, talvez a Francesca Sozzani e o stylist dessa matéria não estejam muito interessados pela moda brasileira e aí colocam todo mundo na mesma praia vestindo biquini cafona.

Pelo menos não esqueceram do protetor solar.

Beijos, Carols
12 comentários on "tocando de biquini sem parar"
  1. Excelente, Carol! Que chato sempre sermos vistos como índios nus de 500 anos atrás...

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  2. Ai que luxoooo! amei

    Beijoos, Ana Carolina.
    http://simplesglamour.blogspot.com/
    Instagram: @simplesglamour

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  3. Perfeita a observação!! Dá vontade de mandar o post para a editora. Manda, vai?

    Beijão

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  4. nossa promoção e sempre tudo de bom né.

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  5. Nossa, que gafe, pra não dizer mais. Pena que nosso país ainda é visto assim lá fora.
    P.S.: Eu sempre cantei "tocando de biquini sem parar"... Só descobri há uns 3 anos a letra certa. kkkkkkkkkkk

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  6. Biquini americano esse aí kkkkkk, feio, grande e cafona, nem a mais enjoada das mulheres brasileiras usaria esse troço, muito ridículo mesmo, se não tem o que falar, melhor deixar passar....
    Nada contra a farm, muita garota zona sul acha que é a cara do Rio, mas é a cara só da zona sul, mesmo, pois nem a modelo branquela e esmilinguida combina com o restante da cidade, mas enfim....

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  7. Aff...que abuso essa materia da Elle! Acho mesmo que você deveria mandar seu post pra eles...um disparate isso!!!! Olha que, com toda globalização, parece que procurar por "moda brasileira" no Google seria algo de outro mundo...fiquei p* com essa matéria!

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  8. Adorei o post, Carol! E é mesmo cansativo esse estereótipo que existe sobre o brasileiro. Mas no mínimo cômico foi o look pra Santiago. Eu moro aqui, e se tem coisa que não existe no Chile é esse senso de moda cosmopolita, vanguardista. Inverno em Santiago é como se toda a cidade se resumisse ao vai e vem da avenida paulista, todo mundo de preto, dos pés a cabeça. O chileno é extremamente conservador, experimenta sair com um casaco vermelho e veja seu poder de atração,, hehehehe! É nessas horas que dá saudades da versatilidade brasileira. Eu acredito na moda brasileira sim, só acho que pra ficar perfeito poderia fugir desses elementos tropicais ou sensualizantes demais.
    Seu blog é demais, você é demais! Sucesso!
    Besos desde Chile.

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  9. Poxa chateado com isso! ARRASOU com o post
    e envie pra a revista!!

    http://blogadoravelparanoia.blogspot.com.br/

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  10. Muito bom, do título (quem nunca cantou assim, que jogue o primeiro LP como freesbee) até o final. Pior é que são burros e querem espantar a clientela, pois os estilistas de "luxo" que fazem publicidade na Elle (sobre)vivem graças `as babacas de biquini daqui e de quimono da China.

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  11. Perfeitooooooooooooooooooo, Carol!!! :)

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  12. O que faz sucesso lá fora são duas coisas: havaianas e bikinis. Se você for juntar como o nosso país é conhecido pra grande massa é festa, sol, praia e tudo isso. Os dois únicos consumos em termo de massa na moda é a havaiana, que é um absurdo lá fora, e biquinis. Eu não deixo de ficar frustrada com isso, mas ao mesmo tempo entendo porque tem muita loja brasileira que copia descaradamente produtos de fora: Schutz é uma delas. Sem contar as fast fashion que mesmo com parceria com estilistas, no seu geral, tem sério problema em fazer algo inovador. Ela só fornece a moda do momento, mas com um preço mais "juntos" que ue nem acho tão justo assim. É uma balança, no final. Nós deveríamos ter, pelo menos, quinze minutos do tempo dessas pessoas pra saber o que acontece na moda do país, mas ao mesmo tempo, essas lojas deviam tentar inovar em metade da coleção.

    Pale September

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