Para onde você está indo?

18:04

Há dias minha timeline (twitter e facebook) está sendo palco de informações sobre os protestos que acontecem em todo o país. Milhares de pessoas se uniram para reinvidicar mudanças profundas no Brasil e, pela primeira vez na vida, estamos presenciando uma inversão de valores onde o futebol-nosso-de-cada-dia não é mais a bola da vez. 

Há dias tenho entrado em todos os links possíveis e tem sido difícil até trabalhar. O clima de manisfestação é generalizado. Todo mundo quer fazer parte de algum jeito. Há dias também estava calada sobre o assunto, porque não me sinto à vontade de comentar publicamente sobre coisas que não domino, principalmente quando eu sei que minha opinião vai ser um eco repetido de tantos outros discursos. Mas hoje, no meu facebook, surgiu um dos textos mais honestos que li até agora. 

O texto foi escrito por Duda Buarque, amiga de tantos amigos em comum que nos tornamos amigas por tabela e ela colocou em palavras o meu sentimento diante de toda essa situação. Um texto diferente e sincero que me deu orgulho de ler. 



"Faltou pouco para que eu fosse à rua nessa segunda-feira. Não era coragem para sair, porque essa eu tinha. Raça eu tenho nas veias desde que nasci e disso não tenho dúvida. Mas faltou coragem para me encarar. 


Ao contrário do que dizia a todos que me perguntavam se eu iria ao protesto, não tinha tanto medo da polícia, do gás nem de ser presa. Eu tinha medo de mim. 

Medo de chegar na rua e não saber pelo quê estava gritando – fazer um pacote e dizer que está tudo errado é muito simples, na minha opinião. Ainda é superficial demais.

Eu pensei em ir, olhei pra mim e me senti mal em sair com a blusa de grife que vestia para protestar a favor da igualdade social. Me acovardei de assumir para mim que já trabalhei com política, já paguei meia sem ser estudante e que não abro mão das minhas viagens de férias para fora do Brasil. Não abro mão de vários dos meus interesses particulares. 



Nada disso invalida a minha revolta quanto a muita coisa que anda sem jeito, eu sei. Mas senti medo de parecer hipócrita – me desculpem - como tanta gente que eu vi sair enrolada na bandeira verdeamarela. Gente que, no dia a dia, não para nem para um pedestre atravessar na faixa. Que trata os menores com indiferença, quando não com desdém. Que está preocupada demais consigo. 



Temi mesmo me parecer menos com aqueles – bravos heróis a quem bato palmas - que tomaram tiros e mais com os que deitaram na cama para gozar da fama. Tive vergonha de pensar que me arrepiaria ao ver isso tudo acontecer, mas só hoje. Só hoje porque antes disso tudo eu nunca fiz nada para que fosse diferente. 


Eu tive medo de estar indo para a rua porque virou moda. Porque sabia que, por mais coragem que tenha, não apanharia, não morreria nem daria minha liberdade – por horas que fossem – em nome da pátria. 

Antes que você me ache louca, preciso dizer que hoje eu senti muito orgulho de ver o meu povo na rua. Me arrepiei ao ouvir uma pequena multidão cantar o hino nacional caminhando na Paulista – e como foi lindo. Enchi os olhos de lágrimas ao ver alguns dos vídeos e ler umas matérias de gente de verdade sobre o movimento. 

Isso tudo é a coisa mais bonita que já vi acontecer no meu país, sim. E eu senti orgulho mesmo. Senti alegria em estar viva e consciente disso tudo. Mas vou voltar a lamentar quando esse calor passar e eu precisar fazer cara feia apontando para o chão, toda vez que precisar atravessar na faixa de pedestres - algum daqueles motoristas, com certeza, está na rua enrolado na bandeira do Brasil hoje.

Eu sinto orgulho de estar em casa agora, mesmo com uma vontade ainda covarde de estar no meio do povo. Ainda, porque não me sinto pronta para isso. Preciso ler mais, entender melhor e me perguntar pelo quê eu quero levantar cartaz, pintar a cara e gritar. E quando isso acontecer eu vou. Pode ser amanhã, na próxima quinta ou daqui a 10 minutos. Eu prometo que vou, mas vou até o fim."


O texto de Duda gerou este outro texto igualmente interessante: "A passeata é contra você, sabia?" 


Sempre evito expor minhas opiniões sobre assuntos polêmicos e me informo sobre tudo, mas guardo para mim, porque acho um saco sentir que minhas opiniões podem ofender quem se dói com tudo. Mas também é um saco não ter direito ao silêncio. As duas situações são impositivas.

Sempre me chamaram de chata quando eu abria a boca para dizer que cada povo tem o país que merece. Jogavam na minha cara que eu dizia isso porque fui criada na Europa, mas esse é um argumento obviamente pautado por um sentimento de inferioridade estapafúrdio. 



Não precisa ser um gênio para perceber que o Brasil é o reflexo do seu povo sim. Dos "pequenos" delitos, da grande brincadeira com que se tratam assuntos sérios, do jeitinho brasileiro praticado todos os dias, da mania de culpar todo mundo pelas próprias condutas erradas ou simplesmente se eximir da responsabilidade (afinal estamos aí votando, né?), dos preconceitos, da falta de respeito com os outros. 


Mas com toda essa mobilização, com todo esse espírito revolucionário com que nossos corações estão inundados, com toda essa sede de mudança que tanto ansiamos, eu só espero que este seja o momento do Brasil mudar de alma. Começar a ser honesto de verdade de dentro pra fora.





Beijos, Carols

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27 comentários

  1. Traduziu justamente o que eu tava pensando ontem. Muito bom o post! vlw!!!

    ps.: valeu meu primeiro comentário no blog, depois de quase 02 anos acompanhando diariamente. hehehe

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  2. Tati Ximenes18.6.13

    Carol, coragem de botar a cara a tapa e expor sua opinião! Mesmo!

    Não vou escrever nem para concordar, nem para discordar, não cabe aqui uma discussão. É tudo muito novo e intenso nessa história.

    Mas pra mim ainda é "nebuloso"... Um protesto contra tudo é muito confuso! Uma manifestação onde não sabemos qual a pauta, qual o foco, qual a proposta me dá medo. Igual um "ocupe wallstreet", onde ficaram uma eternidade, mas saíram de mãos vazias porque o frio estava chegando... Tenho medo da falta de foco continuar!
    Acho lindo! Temos que ir para as ruas, mas também temos que nos organizar, não? O gigante acordou, mas se não ficar atento vai cair de sono de novo...
    Só tenho esperança de que esse momento faça a diferença!
    É isso...

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  3. Anónimo18.6.13

    Arrasaram! vcs 2!! Bjs, Martina.

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  4. Ótimo texto esse dessa Duda que vc resolveu compartilhar. Pior que acontece que é bem assim mesmo, meio por aí como ela descreveu. Mas concordo com vc no sentido de que cada povo tem o governo e governantes que merecem e convenhamos que aqui no Brasil a grande massa só sabe reclamar, não importa do que, "reclamar é o lema". Levantar as 5 da matina, trabalhar carga horária de peão de obra, fazer faculdade, fazer pós, se matar de estudar para ter a estabilidade de um concurso público poucos querem e poucos fazem....Estou por fora das reais origens ou metas desse tal protesto dos 20 centavos, na verdade nem sei se a manifestação toda tem sido ou foi só por isso. Acho que só levantar cartaz não nos levará a lugar nenhum, penso que cada um de nós deve batalhar para ter o seu lugar ao sol, vc mesma não faz isso? Hoje eu li uma coisa que me chamou muito a atenção num calendário de mesa: "vc pode e deve exigir os seus direitos depois que vc cumpriu eficientemente os seus deveres, pois apesar de ser direito seu, vc deve ser merecedor dos mesmos". Achei isso tão simples que fiquei um tempinho admirando o calendário da mesa alheia srsrsrs, mas me fez pensar, e quando a gente pensa é o primeiro passo para sair da inércia.
    Bj

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  5. Ilonna18.6.13

    Me identifiquei com os dois textos!!! Realmente esses protestos despertaram mais do que friozinho na barriga pela possibilidade de um gol da seleção, despertou vontade de dizer basta, de lutar por algo melhor, mesmo que todos erremos ainda em nosso dia a dia!! Todo mundo tá com vontade de acertar, de se unir, e faz tempo, ou nem sei se já vi, algo assim, um movimento tão contagiante! Mas, sei que isso tudo que tá acontecendo agora, por mais que alcance os grandões, não valerá de nada, se as pessoas continuarem reelegendo corruptos, se continuarem preferindo o "jeitinho" a honestidade! Essa onda tem que atingir mesmo a alma, ser maior do que ir na rua agora, ser constante nos atos de cada cidadão, é uma escolha e tem seu preço! To pagando pra ver =)

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  6. Que texto fantástico dessa Duda! Compartilho da mesma ideia de que a mudança tem que começar de nós mesmos! Não adianta o povo reivindicar seus direitos e não fazer por merecê-los né?! Não adianta estarmos hoje todos mobilizados e amanhã ou depois nos calarmos! Não adianta estarmos ai pedindo e lutando pelo fim da corrupção e amanhã ou depois VOTAR NOVAMENTE NUM POLÍTICO CORRUPTO, como o Maluf, o Collor (que o povo lutou pra tirar do podeR e hoje está lá novamente, não na presidência mas como senador porque o POVO O COLOCOU) então é mais ou menos isso!
    Já é um grande passo essas mobilizações, é um bom começo! Só espero que o povo não pare, que o POVO APRENDA A VOTAR, APRENDA A SER CIDADÃO!
    Fica aqui o meu desejo de que essas manifestações não sejam apenas um modismo e que daqui pra frente seja tudo assim, com o povo nas ruas reivindicando e fazendo por merecer os seus direitos! Fica aqui o meu desejo de um país com melhores condições de: transportes, moradias, EDUCAÇÃO, SAÚDE e um PAÍS MENOS CORRUPTO! Porque esse é um dos nossos maiores males e que desencadeia todos os outros!

    Enfim, apesar de tudo, pela primeira vez fiquei orgulhosa do meu povo, do meu país!

    BeijOO

    http://achadosdabrunna.com.br/

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  7. Pensei exatamente nisso ontem ao ver o Jornal Nacional...Perguntaram para 3 jovens sobre o protesto e eles falaram "direitos iguais" "é tudo uma safadeza" "chega de corrupção"!!! OI??? Ninguém falou nada conciso, ninguém expos porque realmente estava ali. Também não fui em nenhuma porque concordo com muitas coisas, mas descordo com outras e antes de todos reclamarem sem parar, porque não pensam antes de agir?! Como diz vc, afinal, todo mundo que estava ali votou em quem esta lá!!

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  8. Anónimo18.6.13

    Carol, parabéns pelo texto!
    Sou universitária,estudante de Direito, e como tal, a discussão pesa não só sobre minha cabeça, mas também de todos os colegas universitários, jovens estudantes, secundaristas, adultos, trabalhadores, autônomos, enfim... esse movimento não tem rosto, tem a cara do Brasil.
    Acompanho frequentemente blogs de moda/maquiagem/comportamento e percebi que dentre todos eles, e em meio a todo esse mundo 'fútil' de compras e posses que nós amamos, você foi a única que teceu um comentário a respeito do movimento social no nosso pais.
    Acho importante que voltemos nosso pensamento para esse momento, pois acredito que uma transição está ocorrendo, e como brasileiros, devemos acompanha-la.

    Bruna Peixoto

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    1. Oi Bruna!!

      vários blogs de moda se pronunciaram bem antes de mim e eu não ia postar sobre o assunto, mas é impossível não se contagiar diante da quantidade de informação que já foi colocada a público. Minha opinião é só mais uma no meio de tantas que já vi e pensei em me abster de colocar mais um post sobre isso no ar, mas chega uma hora que é preciso dizer qualquer coisa por que é isso que esperam de todo mundo né? :)

      vamos ver onde vai dar toda essa história. beijinhosss

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    2. Anónimo19.6.13

      tá por fora em talifã? a petit foi pras ruas fias, nao só colocou textinho no blog!

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    3. Verdade! vários blogs falaram, inclusive o da Petit. aqui em Recife o protesto será amanhã à tarde, mas ninguém do meu trabalho foi liberado para participar! Muitos lugares liberaram os funcionários para aderir aos protestos, mas aqui não rolou não. Teremos que acompanhar pela internet mesmo!

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  9. Carol, achei o texto da Duda a pior coisa que li até agora sobre o assunto. O movimento é bem delimitado. É a favor da redução das passagens e há outro movimento que ocorre em paralelo, em dias de jogo da copa das confederações, que é contra o superfaturamento da copa em detrimento de investimentos básicos em educação, saúde, segurança e transporte de qualidade. É claro que quando há mais de 100 mil pessoas as coisas ficam um pouco confusas porque cada um tem o direito de voz e de lutar por aquilo que acha justo mas isso não deslegitima as manifestações, apenas agrega real valor democrático a elas. Quanto a parte da hipocrisia, a hora de mudar é agora. Já errei, todo mundo já errou mas agora é a hora de virar o jogo. Não é porque a pessoa atravessou fora da faixa que ela será hipócrita por tentar buscar um país melhor. E se a sua amiga tem carro e não se sente representada pela voz que emana do povo, nada a impede que lute pelos vinte centavos alheios. Isso é humanidade. Como já se diz: um passo a frente e não estás mais no mesmo lugar. O processo é passo a passo. #vemprarua Por um mais igual (que comece pelo direito de ir e vir com passagens não superfaturadas), mais democrático (participação do povo nas decisões políticas), pela erradicação da corrupção (a começar pelas licitações criminosas concedidas aos donos de empresas de um transporte que deveria ser público).
    É isso, a causa é os vinte centavos mas por trás dos vinte centavos há muita sujeira embaixo e temos que começar a varrer por algum lugar.

    Um forte beijo e parabéns pela iniciativa de expor sua opinião. Todo ser humano é um ser social e político e senti muito orgulho que dos três blogs de amenidades femininas que sigo o seu foi o único que emitiu alguma voz sobre o assunto, mesmo expondo um conteúdo com o qual eu não concordo. Continue lendo e formando sua opinião.

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    1. Oi Cris!!

      concordo com você. Os erros do passado não impedem que a gente lute por algo melhor e maior para o país. Você tem toda a razão. Mas claro que cada um se sente ou não à vontade por defender uma causa. Vai da consciência pessoa. E claro que não deslegitima nenhuma ação. Acho que o ponto de vista de Duda e o meu, é que isso não seja apenas uma "febre do momento" e sim que esses protestos gerem, no povo, a vontade de mudar de postura e assumir uma atitude mais honesta em todas as esferas da vida, dentro e fora dos protestos.

      Eu, sinceramente, não ia comentar sobre o assunto no blog, por que ainda estava meio atordoada com tanta informação e achei que não cabia no conteúdo do blog, mas o texto de Duda foi o mais próximo do meu sentimento. Não sou conta as manifestações, muito pelo contrário. Mas anseio muito ver essa mudança acontecer tanto nas ruas quanto na alma das pessoas. :)

      Beijinhos!

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    2. Oi, Cris.
      Eu sou a Duda, tudo bem?
      Li cada uma de suas linhas com a mesma atenção que escrevi as minhas. Obrigada por emitir sua opinião sobre o meu sentimento e as ideias que continuam rondando minha cabeça, desde a última segunda.
      Não tenho carro. Nunca tive, nem em São Paulo nem na época que morava no Recife. Por uma questão de opção e prioridades: todo dinheiro que o meu trabalho já me deu eu investi em cursos e viagens, que resultam em uma coisa só: formação humana.
      Tenho o mínimo de esclarecimento político, eu te garanto. Mas ele foi insuficiente para me levar à rua na segunda. Preferi, EU, pensar melhor na briga que gostaria de comprar com legitimidade e bravura. Infelizmente a do Passe Livre ainda não era suficiente. Ainda.
      Mesmo assim, fui à Paulista ontem. No dia próprio para protestar junto com o MPL - ontem foi o Movimento que organizou a passeata, apesar de alguns vândalos sem causa terem se juntado para misturar tudo. Fiquei poucos minutos ali - como alguns dos meus amigos que tinham ido à rua segunda - e o que vi, além dos heróis do MPL, foram pessoas enroladas em bandeiras do Brasil tirando fotos e postando no Facebook com o prédio da FIESP de fundo.
      Me senti mal por elas e mais uma vez tive a impressão de que aquela luta ainda não pertencia a mim, infelizmente.
      Não ainda.
      A imprensa acaba de divulgar que a passagem vai voltar aos três reais que eu sempre paguei. E eu estou vibrando mais pelo meu porteiro, pela moça do cafezinho aqui da agência e pelo MPL, que conseguiu comover o país inteiro em prol de uma causa justa.
      Mas amanhã tem mais um protesto. E eu vou lá outra vez, como observadora da democracia e para aprender mais um pouco de formação humana. Te garanto que não vou fazer nenhum post no Facebook nem jogar filtro em nenhuma foto do Instagram.
      Eu fiz isso na segunda, com o texto que você leu, para desabafar um sentimento que se provou comum entre muitos dos meus seguidores. Fico feliz que você não tenha se identificado com ele. Isso é sinal de que a sua causa é mais forte e corajosa do que a minha tem sido até agora.
      Aliás, a única coisa que me deixou triste no seu comentário foi o seu entendimento sobre o meu posicionamento. Sou a favor do movimento, tenho me orgulhado cada vez mais com o que tenho visto e torço tanto quanto você - que vai pra rua - para que o país mude. Mas que as pessoas mudem antes. Que eu mude junto, Carol e você também. Que a gente saiba, antes de ir pra rua, pelo quê estamos lutando. Se não for assim, nosso esforço também não valerá nada além de números na contagem de manifestantes pelo DATAFOLHA.
      Bom Brasil pra você. Boa luta para nós, cada uma do seu jeito. : )

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  10. Anónimo19.6.13

    Carol, não sou de comentar em blog nenhum... Mas dessa vez tive que fazer isso, que texto maravilhoso dessa sua amiga duda, to afim ate de compartilhar no facebook.. descreveu exatamente como me sinto e o que penso a respeito de tudo isso.
    Sou sua fã, viu! Bjooo

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  11. Os dois textos simplesmente me traduzem também!
    Parabéns!

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  12. A Duda quer se sentir representada/representante para sair às ruas e de certa forma eu entendo. Mas acho que não concordo, ainda tô meio em dúvida (libriana é uó!). A minha mãe me levou a uma das passeatas fora Collor quando eu tinha apenas 10 anos. Lembro dela me dizendo que aquele monte de gente estava lutando por um país melhor. Não fazia ideia dos objetivos nem metas que eles tinham, mas ver as pessoas reunidas lutando por algo melhor (ainda que na minha cabeça eu não soubesse o que era esse melhor) me marcou profundamente e me fez querer ser melhor também, que é de onde deveria partir toda forma de protesto.

    Apesar disso, acho válido participar, ir na rua, acompanhar, mesmo sem ter claro na mente o que você está querendo ou fazendo. Às vezes é preciso ver para crer. Daí descobrir e mudar. É o tipo de experiência que pode transformar as pessoas, vai por mim! Prefiro ser expectadora a mera espectadora. E a diferença é muito maior do que uma letra!

    Beijos

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    1. somos 3 librianas então! Eu, você e Duda! hehehehe na dúvida Duda foi às ruas e eu vou também. Ainda que não saibamos exatamente pelo que reinvidicar, com certeza ver todo mundo unido vai ser incrível e tranformador! :D

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  13. Nossa...traduziu tudo o que sinto. Me identifiquei demais com o seu texto, e com o texto de Duda.
    Muito massa!

    Beijos

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  14. Carol19.6.13

    Acho super válida a opinião da sua amiga, com a qual você compartilha, mas discordo em diversos pontos. O que mais me chama atenção é acreditar que cada povo tem o país que merece! Discordo totalmente, pois muitas pessoas desse país não tê condições dignas para enxergar o que está errado, o que corrompe, o que fere a liberdade do outro. Sou professora há muitos anos e vaguei por diversos colégios de elite. Esse ano resolvi devolver para o Estado aquilo que ele me deu, pois me formei em uma universidade pública, então, fui para uma escola municipal. Não acho que meus alunos tenham real consciência do que está acontecendo, pois, além da fome, que atrapalha o exercício de pensar (a maioria deles faz uma refeição ao dia: apenas a que é feita na escola), eles não têm acesso à internet, então são manipulados pelo que a mídia apresenta para eles. Por mais que a gente tente mostrar a eles o que está acontecendo, pois acho que essa é a minha função mais bonita como professora, é trabalho de formiguinha, sabe? É super válido, mas não acho que seja suficiente na maioria das vezes. Por tudo isso discordo plenamente dessa frase e fico até de mal humor quando escuto/leio: desculpa Carol, mas "O Brasil é o reflexo do seu povo!", uma ova!

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    1. Concordo com muitos pontos Carol, mas o trabalho de formiguinha tem que partir da sociedade também. Muitos alunos não têm acesso a internet ou sequer alimentação, mas e os restantes? Esses são responsáveis por todos. Todo mundo é responsável pelo Brasil ser do jeito que é. O povo brasileiro corrompe nas menores coisas, mesmo quando não tem necessidade disso. Tirar vantagem, se achar esperto, burlar a lei, são práticas constantes no Brasil independente de classe social, credo ou etnia. É a atitude de toda uma nação que corrobora o que temos hoje. Não é a ação isolada de quem mal tem o que comer. É de quem tem o que comer e ainda tira da boca do outro pra "se dar bem", entende? O Brasil é um reflexo do que todo mundo pratica todos os dias com seus pequenos delitos, com a leviandade com que se tratam os assuntos sérios. Em que país do mundo se elege um deputado federal que foi o ex-presidente mais odiado do Brasil? Collor tá aí, Maluf também...e não é possível que todo mundo que votou nesses caras não tem educação ou acesso à informação. É falta de memória e falta responsabilidade. Nem todo mundo é sem informação. Muitos optam pela ignorância e pela desonestidade e depois reclamam das mazelas do seu país.

      Pelo menos é isso que eu vejo todos os dias, desde as pequenas coisas como "comer um pacote de biscoito no mercado e não pagar" até votar num fanático religioso pra ser presidente da comissão de direitos humanos. Não é só falta de educação, é falta de espelho. Tenho 4 tias professoras de escolas municipais e conheço de perto o trabalho de formiguinha delas e sei que todas têm uma coisa na ponta da língua: ensinar o certo dá trabalho (e nem todos os educadores têm punho para educar, e com isto estou falando dos pais mesmo) e com ou sem merenda, aprender o errado é bem mais fácil por que não faltam maus exemplos.

      beijosss!!

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  15. Anónimo19.6.13

    EXATAMENTE oque eu penso. Pro Brasil mudar de verdade a alma mesquinha das pessoas tem que mudar antes !!! Falam tanto dos corruptos em brasilia, mas quero ver como tantos dos manifestantes se comportariam lá no lugar deles sem falar nos vandalos ( nao querendo generalizar mas ja generalizando ) Com tanta falta de educação, egoismo, vaidade, inveja, ambição, falta de amor pelo próximo, pelos animais entre outros milhares de defeitos do povo brasileiro. Concordo com os manifestos e tenho esperança de um Brasil melhor com brasileiros melhores. A VIDA É BOA COM QUEM É BOM ! " MUDA , QUE QUANDO A GENTE MUDA O MUNDO MUDA COM A GENTE "

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  16. Anónimo20.6.13

    Não vou comentar sobre toda minha opinião sobre o assunto, pois perderia umas boas horas do meu dia escrevendo aqui na caixinha de comentário, mas tem uma coisa que até hoje só vi umas poucas pessoas comentando, que é: o Brasil não estava "dormindo", quem estava dormindo era a classe média/alta privilegiada, cujo problema não é só a hipocrisia, mas a falta de politização.

    No Brasil existem diversos movimentos sociais, o feminista, o LGBT, o de negros, o MST, entre diversos outros, que há muito tempo lutam pelas causas sociais, e nunca foram apoiados ou reconhecidos de fato pela massa. Será possível que NENHUM desses movimentos possuem uma causa com a qual você (e por você, eu digo toda essa classe média "adormecida") se identifique?

    Mas tudo bem, agora o "Gigante Acordou"...acordou mesmo? As classes minoritárias continuam sem representação alguma. Quando gritavam para os policiais "somos estudantes, não bandidos" o que estavam dizendo? Que os policiais podem usar de violência desmedida contra "bandidos", mas não contra os estudantes de classe média que ali estavam?

    O maior problema desse movimento todo é que, apesar de ter uma causa bacana, as pessoas continuam sem nenhum desejo de se aprofundar nos estudos sobre as mazelas sociais que afetam o Brasil, justamente pelo fato de não afetar grande parte daqueles que foram às ruas, e sem nenhuma vontade de fato de MUDAR as bases do país, e para ter certeza disso é só começar a falar sobre programas sociais (bolsa família, cotas, etc).

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    1. Anônimo, acho que é bem por aí sim. Estamos adormecidos justamente porque não é o nosso calo que aperta. O aumento nas passagens de onibus foi o estopim para os protestos porque mexe no bolso da classe média também. Quando vejo as pessoas protestarem contra a Copa, me lembro que assim que o Brasil foi escolhido para ser sede da Copa o clima não era de indignação e sim de festa. O povo resolveu reclamar DEPOIS que o dinheiro foi gasto, por exemplo. E isso se aplica a diversas outras esferas que, no Brasil, precisam de ajustes. Votar em ladrão pra depois reclamar que o cara rouba é uma atitude bem comum e infeliz. Espero que o gigante tenha acordado mesmo (e que permaneça acordado, claro) e que a mudança seja primeiro na mentalidade das pessoas e depois no país. Porque o inverso não funciona. :)

      beijinhosss

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  17. Olá, pessoal! Acho que todo mundo (literalmente) está acompanhando todo esses acontecimentos no nosso país e tem diversas opiniões a respeito. Como a maioria das pessoas, também sou a favor do protesto!Ontem estive na passeata pacífica em Niterói e foi lindo ver pessoas de todas as idades e familias inteiras participando! Concordo com a Duda quando ela diz que nem todo mundo vai sabendo por que está indo! O que testifica isso, são os vandalismos que tem ocorrido em todas as cidades por onde os protestos tem acontecido! Isso não faz parte do movimento! Todos nós somos como "células" desse país e a mudança começa pela gente, pelos nossos atos e também pela iniciativa de mudar! Vc é um revolucionário falando sobre e não necessariamente todos que estão na rua, são! Bjs! Bom futuro para todos nós!

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  18. Anónimo20.6.13

    Carol, também acho que precisamos repensar nossas atitudes cotidianas e que isso faz diferença para o bem estar coletivo. Mas não catar o cocô de seu cãozinho no chão não tem a mesma consequência que roubar dinheiro da saúde e da educação. Não somos todos do mesmo saco. As pessoas votam em governantes corruptos, mas eles possuem excelentes e competentes equipes de propaganda e convencem a muitos de nós. A participação política propiciada pelo voto é muito limitada e engana. Acho que o movimento atual, entre outras pautas, traz a reinvindicação de maior participação e transparência nos processos decisórios do governo. Não carreguemos nas costas culpas que não são realmente nossas...

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  19. Rafaela Ramos22.6.13

    Não é modinha. Se existem aqueles que foram às ruas para postar nas redes, definitivamente não representam a causa da maioria. Não é apenas aqueles tão falados R$ 0,20, para mim é o desejo de mudar e fazer a diferença!

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