Um diário de vida, viagens e estilo.

de paetês ao meio dia

05 outubro 2010
Hoje saí de casa cheia dos paetês. Sorry, mas este post ainda não é o look do dia. :P
Na verdade tudo não passou de um teste de observação. Em geral eu ando na rua meio cega...nunca olho pra ninguém, sempre uso aquela máxima de "olhar pro horizonte e ignorar a sociedade". hahahah 

E não é por que eu sou abusada ou metida, como se diz aqui em Recife. É por que gente...eu evito o constrangimento de ver o povo me olhando com cara de nojo. Enquanto os homens são super indiscretos e olham qualquer mulher como se fosse um pedaço de picanha bem passada, as mulheres olham pras outras mulheres com desdém, com injeva e com nojinho. Meu mundo é rosa demais pra suportar isso! ahhahahahahaha

Eu passei anos da minha vida sendo uma punk-rock-gótica-freak-whatever, que só usava preto, calça larga, correntes de espinhos pra todos os lados, unhas pretas, olhos pretos esfumados e cabelos transitando entre vermelho-verde-roxo. Se todo mundo não teve, pelo menos quase todo mundo teve uma fase assim na adolescência. É natural que a adolescência traga aquele cabelo mais oleoso, a pele toda pipocada...e isso se reflete? Na roupa. Claro que existem pessoas que curtem mesmo o estilo rocker, mas no meu caso era uma fase. E o que eu aprendi com essa fase? Que as pessoas têm a incrível ignorância capacidade de julgar sempre. 

A "burguesinha" julga o hippie como maconheiro, o hippie julga as "burguesinhas" como fúteis os góticos-whatever julgam os românticos como deslumbrados, os românticos julgam os góticos como depressivos-existencialistas, mas ninguém chega nem perto de simplesmente olhar pra você e pronto. E pronto. Mais sobre este assunto, leiam este texto excelente aqui.

Daí que vocês podem perceber como eu estou tarimbada no assunto "pessoas olhando pra mim" já que minhas escolhas "visuais" sempre foram exdrúxulas. E exdrúxula aqui em Recife é quase nada viu. Na verdade é muito pouco mesmo, é só usar jeans com jeans, dar um nó no cinto e usar clogs e pronto. Você já está altamente "original" em Recife. Claro que existem os gostos, os estilos e os limites pessoais, mas o medo de ser tachada de esquisita é muito maior do que a liberdade pessoal de estar a fim de vestir qualquer coisa e realmente ter coragem de vestir.

Pois eu tô nem aí amiga. Tô tomando activia e bebendo jonnie walker na cabeça da galera. hahahaha. Não tenho um pingo de estilo (no sentido supostamente profundo da palavra), visto do jeito que acordo. E pra concluir esse post eu só quero citar a Anna Dello Russo novamente, acrescentando umas coisinhas: Ente MODA  e ESTILO eu escolho a moda, o estado de espírito e o humor e junto, a minha liberdade individual de vestir paetês em pleno sol do meio dia e ser sim tachada de doida e olhada com nojinho, por que eu prefiro ser a louca do Recife Antigo, do que deixar mofando minha vontade dentro do guarda-roupa.

Algumas inspirações.

(imagens via Lookbook.nu)

(imagens via Easy Fashion)

E vocês? O que acham de tudo isso? hahahahaha

Beijos, Carols
15 comentários on "de paetês ao meio dia"
  1. Carol, adoro seu blog,mas nesse post você conseguiu se superar. Fantástico! Concordo com você, vc ter que seguir "tendencias" ditadas por pessoas que não tem nada a ver com vc, para ser aceita no mundinho fashion, perder a personalidade, isso sim, faz com que tenhamos que vestir a carapuça daqueles que nos taxam de futeis...Se vc está feliz de paetês, bota country, homeless style, tenis,t shirt, carrots paints, se não tem grana pra comprar sua balenciaga ou Alexa, mas está se achando com a sua "inspired" ou com seu mochilão redley antigaço, isso é o mais importante! Pra mim o "must have" é felicidade! Parabéns!

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  2. Miiiga, amei o post! Costumo dizer que Recife é uma provincia, se usarmos algo diferente levamos risadas e somos taxadas de bregas ou esquisitas. Tb ligo o não percebo e uso o que quero. Costumo dizer que "Não tenho estilo, tenho humor"

    Continua assm, gata!

    Beijocas!

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  3. Eu tive com o maior orgulho a minha fase dark-black-metal-fucking-crazy, como eu tive a fase sk8, a hippie, a uso-roupa-do-meu-pai-e-não-tô-nem-aí, e sei bem o que é ser olhada de rabo de olho pela sociedade.
    Apesar de hoje não vestir roupas lá tão diferentes, as pessoas continuam olhando. Pq sempre vão olhar. Se o seu cabelo voa, vão olhar. Se você está num salto 12, vão olhar. Se você está de havaianas, vão olhar. Se você está de pijama, vão olhar. Se você está de paetês, vão olhar. Porque aqui em Recife as pessoas não devem ter assim tantos horizontes... Deve ser isso.
    E eu super apóio a tirada de roupa do armário quando se tem vontade. Até pq eu sou daquelas que não separo a roupa da noite e a do dia. Vou pra um casamento com vestido de malha e sapatilha, e me sinto ótima. Acho que independente de brilho, de cor ou de qualquer coisa, a gente tem que se sentir bem e confortável. Sem vergonha de ser feliz :)

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  4. Como tu, eu já tive a fase dos cabelos coloridos e do preto (ô, fase!).
    Hoje eu visto-me de da forma que me sinto bem, (não que antes eu não me sentisse bem usando aquelas roupas escuras folgadas e cabelos hiper pigmentados ehehe).
    Hoje ao andar pelo Recife, mesmo usando roupas comuns, ainda sou olhada de cima pra baixo pelas mulheres. Tento fazer a egípcia, mas nem sempre consigo hehe.

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  5. Carol, sei exatamente o que vc sente. Já escrevi sobre isso várias vezes no meu blog também, inclusive contando "causos" de abordagens bizarras que levo por ter um cabelo rosa. Sim, um simples cabelo, uma substância, penugem que dá na nossa cabeça assim como dá na bunda - só o fato da minha de cima ser rosa, chegam a me abordar na rua pra perguntar se a de baixo também é.
    Saca só alguns dos textos que escrevi sobre essa matutagem nordestina, de um povo que se diz tão moderninho e fashion:
    http://blog.totalmentediva.com/?p=189
    http://blog.totalmentediva.com/?p=138
    http://blog.totalmentediva.com/?p=196

    Bjooo

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  6. Olha carol acho que não é só em recife que o povo olha torto para o que vc está usando mais sim no brasil todo porque aqui em são paulo mesmo tendo um monte de estilos diferentes as pessoas continuam a te olhar e a te julgar.. eu tbm já tive algumas "fases" na minha vida e não tenho vergonha de contar não vivo contando pra deus e o mundo que eu já tive uma banda de Reggae rs.. me vestia meio hyppie mais nunca deixei de ser feliz e o mais gostoso disso e que conhecemos pessoas de vários estilos.... acho que o bom da vida é isso!!! e eu acho que o que importa e você se sentir bem.. mais é claro que as vezes e bom ter um bom senso de vez em quando! adorei o seu post de hoje..

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  7. Eu era Tao medonha em Recife que ninguem nunca me assaltou, isso mesmo, nunca fui assaltada la, segundo o povo, eles tinham medo do ser sinister, magricelo, que nao sorria a toa! Haha

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  8. Adorei, Carol! E me identifiquei muito nessa questão "fases" e todos "sempre olhando". Durante muito tempo me senti incomodada, mas o que a gente pode fazer se tem atitude de "ser diferente"? E olhe que atualmente me visto super normal, estou looonge de ser "estilosa". Mas não adianta, tem sempre alguém analisando o tempo todo. No dia do Cosmmopolitan fui de batom vermelho e creia, todo mundo na rua ficava olhando pra mim com cara de "que porra é isso?". Existe?!
    Bem, mais uma vez, adorei seu post e venho seeeempre aqui! Beijos!

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  9. A linda cidade do Recife, infelizmente, tem muros baixos e gosta de classificar pessoas, em grupos (e você só tem o direito de escolher um grupo apenas. Qualquer mudança poderá ser percebida como "falta de personalidade").

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  10. Carol, adorei o texto, viu? É verdade, nossa terrinha ainda é cheia de preconceitos e, em matéria de moda, o pessoal ainda não está acostumado com muita novidade. A maioria das pessoas, mesmo as que se vestem bem, morrem de medo de sair do lugar comum . Eu tenho que dizer que adoro seus looks, adoro suas fotos e a forma como vc desfila pelos lugares com a maior simplicidade e ao mesmo tempo super segura e linda. Bjinho pra ti!

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  11. carol, texto show de bolaaa :D:D
    e tenho q dizer q morri aqui com essa saruel xadrez <3
    e com todas essas fotos lindas.
    e nem falo a raiva q tbm tenho desse povo cabeça fechada daqui --'

    tamo esperando o look do dia

    (:

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  12. Por isso que adoro esse blog!! Tem opinião com fundamento e realidade!! E principalmente faz agt refletir.. Amo

    Super apoiada!! :)

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  13. Ju Silva5.10.10

    Olha Carol, eu sei BEM o que é isso. Como já te disse, moro numa cidade com 20.000 habitantes! Imagine esse meu cabelo de "fuá" num lugar desses? O que eu já ouvi de sugestões (que nunca pedi) para passar chapinha, escova de diversas frutas, leite, açucar, enfim... Confesso que às vezes cansa. Mas aí me revigoro quando: Olho teus posts, quando me olho no espelho e vejo que eu simplesmente amo meu cabelo, quando meu marido me diz que se eu fizer uma chapinha ele fica sem falar comigo, enfim...

    Desde que conheci teu blog, além de parar de olhar com raiva para quem olha pro meu cabelo, eu estou me arriscando e usando roupas que sempre quis usar mas tinha medo da opinião alheia. É isso.

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  14. Anónimo5.10.10

    adoro seus post carol, ainda mais esses sobre comportamento... bom, acho que esse tipo de situação, olhares de julgamento e comportamento cínico por parte das pessoas- homens, mas principalmente mulheres, é muito comum aqui no nordeste... penso que seja herança arraigada dos tempos de província e certas coisas não mudam mesmo.... um Bahia, nunca vai ser uma São Paulo, pois por maior que seja a modernização, os valores culturais naquela são praticamente imutáveis.. são valores patriarcais, que repudiam o novo, o diferente, marginalizando-os.
    Não há uma convivência harmônica , como percebo nas grandes metrópoles. Enfim, pessoas como você, adeptas do "faço a minha parte" são o que enriquecem e contribuem para uma reestruturação dos paradigmas arcaicos.
    Mariana Maia

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