CAROL • BURGO

Um diário de vida, viagens e estilo.

A gente se acostuma

novembro 13, 2017


À primeira vista tudo é novidade. Mas aos poucos a gente se acostuma. Ao sol, ao cheiro, à paisagem, ao contorno do morro, à cor das flores, ao desenho da calçada. A gente nem enxerga mais a rua, o azulejo, o mar azul, a sombra dos coqueiros. A gente acostuma a vista e a vida a uma paisagem e perde aquele olhar de encanto do turista. Cada esquina era uma nova descoberta e em pouco tempo a alma não desperta mais para as belezas tão evidentes. Mas quando a gente resolve sair da inércia, aguçar os sentidos novamente, é como se tudo fosse diferente, o sol, o cheiro, a calçada, a paisagem e o gosto, quase um amor à primeira vista.

Look do dia pra curtir o fim de semana de praia e sol
Um passeio por Ipanema
Algumas belezas de Botafogo
Dourado grelhado com purê de batata baroa e tomates e palmito assados
Dupla de bruschettas do meu novo restaurante favorito: o Salomé Bistrô, no Leme

Um fim de semana que me despertou, de novo, para a beleza da cidade onde eu vivo.


Créditos do look: vestido Prosa (em breve estará à venda) | Bolsa: Mr Cat | Brincos: comprei no centro da cidade, em Recife | Cinto: garimpado num brechó | Chinelo: Havaianas | Batom: Russian Red da Mac

Hoje não é um bom dia para ser mulher

novembro 09, 2017
Imagem original daqui

E quando eu digo "hoje", esse hoje é todos os dias. Cada vez que eu acordo e abro os olhos. Acordar é uma espécie de nascimento, uma saída de um estado latente para um despertar consciente. Nasci mulher. Todos os dias eu nasço mulher e ao nascer eu tive uma sentença de vida decretada: "você não tem esse direito."

Ontem li esta matéria, o primeiro passo para a criminalização de todo tipo de aborto no Brasil, sob a justificativa de que é preciso garantir o direito à dignidade da vida humana e que essa vida começa na concepção e, portanto, mulheres grávidas de estupradores, mães com risco de vida, mães carregando bebês anencéfalos, poderão ser criminalizadas pelo aborto, pela violação ao direito à vida, caso esta PEC seja aprovada na Câmara. 

Deitei no meu travesseiro e chorei. Não de tristeza, mas de revolta, de raiva, de ódio, de impotência. Chorei por mim e pelas mais de 3,5 bilhões de mulheres no mundo que nasceram com a mesma sentença que eu: "você não tem esse direito". Chorei pela estimativa de que mais de 400 mil mulheres são abusadas no Brasil por ano, mas que apenas 10% dos casos são denunciados à polícia. Chorei por saber que 70% dessas mulheres são, na verdade, meninas e adolescentes e que 89% das mulheres estupradas são pobres, de baixíssima renda e pouquíssima educação. E que 15% desses casos existem dois ou mais abusadores envolvidos e que em 70% dos casos são homens conhecidos ou próximos da vítima. Chorei por saber que 90% das mulheres tem medo de ser estupradas. Que eu tenho medo de ser estuprada.

Você, mulher, não tem direito ao próprio corpo. Você, mulher, não tem direito à dignidade humana. Você, mulher, não tem direito à vida. Mas para nossos deputados, o feto gerado do teu estupro, do teu trauma, tem. Você não tem o direito de decidir se quer ou não prosseguir com a gravidez. Você pode morrer no parto, de uma gravidez aos 12 anos, mas teu feto, que nem nasceu, é mais sagrado que você. Você pode parar seus estudos para cuidar de um filho, enquanto o pai da criança te abandona, porque teu feto merece um futuro, mas você não. Você pode sacrificar sua vida para criar um filho anencéfalo, porque a vida quase vegetativa dele, vale mais do que a sua. Porque você, mulher, não tem direito de escolha. Teu corpo é público, é do homem, da sociedade,  da guerra, do machismo, da religião e de quem mais quiser te violar. 

Diante de mais um golpe aos direitos femininos, eu chorei de raiva por todos os outros direitos que me foram usurpados no exato momento em que eu nasci e pelo único motivo de nascer mulher.

O primeiro deles: a minha voz. Aprendi as primeiras palavras aos 10 meses, precoce. Mas aos poucos percebi que eu não tinha direito a usar minha voz como eu bem entendesse. Não. Dos meus lábios delicados não podiam sair palavrões, nem afrontas ao frágil ego masculino. Não podiam sair respostas ao machismo, nem aos comentários nojentos que eu escutava na rua, porque além do corpo, meus ouvidos também podiam ser violados com xingamentos. Minha voz serviria apenas para proferir palavras boas, sem revolta, domesticadas. E sempre que eu quis me fazer ouvir numa sociedade machista, o mundo me colocava no meu lugar: você é reativa, revoltada, EMOCIONALMENTE IMATURA, mimizenta, feminazi, esquerdopata. Como se minha dor não fosse válida, porque, por lei, ela não é.

Depois eu chorei pelo meu corpo. Esse âmago de pele, osso e músculo que é um prato servido a quem quiser devorar. Um corpo que aos 7 anos recebeu o primeiro assédio sexual vindo de um velho, fato que me emudeceu e me envergonhou e me fez achar que a culpa era minha. Um corpo que só teve coragem de contar pra própria mãe o que aconteceu, quando já tinha 30 anos de idade. Porque a voz, essa voz que eu perdi tão cedo, nunca encontrou forças pra assumir tal violência. Um corpo que ouviu da própria mãe: "quase todas as mulheres da nossa família também já foram abusadas." Dito com uma naturalidade chocante, como se a norma da vida feminina afinal, fosse o abuso.


Depois eu chorei pelos meus ouvidos. Chorei por todas as vezes que um corpo feminino foi julgado pelos homens, pela mídia, pelas próprias mulheres. Todas as vezes que uma mulher foi xingada pelas suas escolhas, tolhida pelas suas vontades, desrespeitada em praça pública ou privada, criminalizada por não querer ou poder ter um filho. Chorei pelo dia que escutei a namorada de um cara dizer que a menina estuprada por 30 homens "procurou" aquilo porque ela andava com bandido. Chorei por cada piada machista que meus ouvidos foram obrigados a ouvir. Chorei de ódio por cada chefe que se aproximou de mim pra me dizer que eu deveria ser mais leve ao confrontar suas ideias machistas. 


Depois eu chorei pela minha liberdade: de ir e vir em paz. De saber que vou sair de casa intacta e voltar intacta. De não (fora) temer que meu corpo seja violado. Chorei porque escolho a roupa que eu posso usar quando estou acompanhada do marido e a que eu posso usar quando estou sozinha. Chorei porque um dia vesti uma saia de oncinha e me chamaram de puta. Coloquei silicone e me chamaram de puta. Fiquei com quem eu queria e me chamaram de puta. Respondi macho escroto na rua e me chamaram de filha da puta. Afinal, mamãe também é do ramo.


Depois eu chorei pelo meu futuro: aquele que nunca chegou. Porque me sentia inteligente e capaz, mas os cargos de chefia quase sempre são dos homens. Porque me dediquei e trabalhei mais que todo mundo, mas enfrentei egos masculinos e nunca recebi uma promoção de cargo na vida, ao contrário, fui demitida. Porque estudei mais, me esforcei mais, batalhei mais, trabalhei mais horas, mas diversas vezes fui chefiada por homens menos preparados que eu. Porque usei a minha voz pra defender o que achava certo e justo e fui calada todas as vezes, afinal, perdi a voz cedo, lembram?

Depois eu chorei por outras mulheres. Aquelas às quais não foram dadas opções de vida a não ser a realidade diária do abuso físico, emocional e psicológico desde a mais tenra idade. Aquelas que nasceram em condições de pobreza extrema, falta de educação e oportunidades. Aquelas para as quais o machismo, o racismo e a misoginia são o prato do dia, self-service, sem balança. Aquelas para as quais a violação do seu corpo é algo NATURAL, pois é a única realidade que conhecem. Aquelas que morrem nas clínicas clandestinas de aborto, porque nosso estado "laico", legislado por homens, impregnado por religiões que representam apenas a si mesmas, e desprovido de mulheres no poder, defende que a vida delas vale menos que a de um feto.

Depois eu chorei pela falta de informação. Aquela que diz que o feminismo não é necessário, porque "eu quero ser dona de casa", sem nem perceber que, o simples fato de você poder "querer" alguma coisa, poder ter essa escolha, já é uma vitória conquistada pelos anos de luta feminista. Chorei por todos aqueles comentários do G1 que falam que o mundo tá chato, que tudo é mimimi e vitimismo, porque parece que bom mesmo, era quando mulher tinha que apanhar calada do marido. Chorei por todas as justificativas religiosas para "defender a vida humana", quando a própria religião mata e estupra tanta gente pelo mundo em nome de qualquer deus, há séculos. E chorei pela dificuldade que as pessoas tem em entender que: se você não quer abortar, não aborte. Mas não obrigue outra mulher a seguir o que VOCÊ acha certo pra VOCÊ. Por fim, chorei por cada homem dando pitaco na vida das mulheres, supondo suas necessidades, regendo nossa vida com pontos de vista criados a partir de seus próprios pênis e simplesmente assistindo ao nosso sofrimento sem fazer NADA, mesmo concordando que talvez a gente até mereça um pouco de dignidade.

Os homens que defendem a criminalização do aborto, são os mesmos que estupram as mulheres, abandonam os filhos e até pagam o aborto quando não querem ser pais. Os homens que defendem a dignidade da vida humana de um feto, são os mesmos que querem ver um bandido morto e não se importam quando uma criança de 9 anos é vítima de bala perdida dentro de uma favela. A bala e a bíblia andam juntas e tem alvos em comum. A vida só tem valor dentro do útero da mulher, ainda que ela seja a alma sacrificada. Fora dela, qualquer criança pode ser abusada, assediada, estuprada, abandonada e morta, afinal, ela já nasceu e isso que importa. A "dádiva" de gerar um filho é, na verdade, uma obrigação. Não é escolha da mulher (ainda que o feto dependa 100% do corpo dela pra viver) e a cada dia que passa, a cada notícia que eu leio, eu vejo que minha voz, meu corpo, meus ouvidos, minha liberdade e meu futuro estão em jogo.

Nascer mulher é uma luta diária. Inglória. Um desamparo.
Nossa vida não é sacra, nem digna, nem humana. Não é nossa.
A nós foi nos dado o direito ao silêncio, à passividade, à condescendência. 
A nós foi dada apenas uma opção: meu corpo, suas regras.

Agora eu choro de dor. Uma dor incapacitante na alma e no corpo. Por mim, por todas nós. Porque não sei aonde vamos chegar. Choro de medo porque sinto que ganhamos batalhas de um lado e perdemos inúmeras do outro. Criminalizar (ainda mais) o aborto é só o primeiro passo para um feminicídio ainda maior. É um retrocesso sem precedentes. Onde tantos lugares avançam em políticas de amparo à mulher, de equidade de gêneros, de promover meios legais das mulheres abortarem sem perderem suas vidas e apoio psicológico para aquelas que decidem ter os filhos mesmo depois de estupradas (afinal elas são livres para DECIDIR), outros tantos dão vários passos pra trás, criando leis medievais que subjugam o corpo feminino às vontades sádicas do patriarcado e da religião, ignorando completamente que, antes de qualquer feto, qualquer "direito à vida", tem que existir DIGNIDADE HUMANA PARA A MÃE. Esta mulher ESTÁ VIVA E PRECISA que essa vida seja digna.


Eu, Carolina Burgo, estou à beira de um colapso. Sedimentando raiva e revolta por cada coisa que perdi na minha vida e por todas que ainda vou perder só por ser mulher. Nos últimos 2 anos tive momentos em que me abstive de ler notícias trágicas e passei a assistir apenas vídeos de cachorrinhos bebês e ovelhas de pijama, porque deixei de conseguir ser feliz. Tive depressão. Chorei, perdi a vontade de viver, de escrever, de pintar. Porque todos os dias morre uma de nós. Uma de nós é estuprada. Uma de nós, todas nós. Nesses últimos 2 anos mesclei momentos de profunda anestesia com outros de incrível revolta. Briguei, fui grossa, retruquei comentários machistas, desci o nível, fiz inimizades. Em outros momentos calei, adormeci, chorei escondida, fingi que não vi, me abstive de pronunciar minhas opiniões. Me afastei de pessoas que não consideram minhas dores nem as dores do próximo, evitei pessoas com pensamentos machistas perto de mim, gente que defende personagens tóxicos como Bolsonaros e Felicianos, gente que defende a ditadura, gente que defende qualquer pensamento que possa nos privar AINDA MAIS da nossa liberdade, da nossa humanidade.

Debati, me informei, li livros que me mostraram realidades femininas muito diferentes das minhas, aprendi a ser mais empática, entrei em grupos onde mulheres se ajudam a suportar as dores da alma e do corpo umas das outras, porque nós sabemos que as primeiras vítimas de qualquer tipo de opressão, violência e usurpação da liberdade são sempre, sempre, SEMPRE, as mulheres. E hoje vim aqui despejar minha revolta, meu descontentamento, minha profunda infelicidade pelo que está acontecendo no Brasil (e em tantos lugares do mundo), porque não é possível que minha influência só sirva pra falar de looks e viagens. Pelo menos aqui, neste espaço, eu tenho voz.

Eu sei que esse texto vai gerar uma provável onda de ódio, afinal é muito difícil aceitar que uma mulher tenha o direito à liberdade, à dignidade e ao seu próprio corpo. E sei que hoje não é um bom dia para ser mulher, mas também sei que não é um bom dia para ficar calada.

Florença: nosso melhor destino na Itália

novembro 08, 2017

Uma das coisas mais legais da nossa lua de mel foi a alternância de cidades no nosso roteiro. Passamos alguns dias vendo a arquitetura histórica de Roma, de lá pulamos para o aconchego das montanhas de Nocelle, de Nocelle fomos aproveitar o sol e o mar em Capri e de Capri fomos para Florença, mais uma cidade histórica incrível. Durante toda a nossa viagem foi assim, não enjoamos dos destinos, porque intercalamos lugares muito diferentes, então acho que isso deixou a viagem muito mais leve, menos enfadonha e menos cansativa, mesmo que tenha sido bem corrida: 11 cidades em 25 dias. 

Então, das águas de azul profundo de Capri, pegamos um barco em direção ao porto de Napoli e de lá embarcamos num trem em direção à estação de Florença. Lembro que mamãe sempre falou de Florença como uma cidade espetacular e, apesar das minhas altíssimas expectativas, a verdade é que Florença foi ainda melhor do que o esperado. O melhor destino italiano que visitamos.

Chegamos à estação central e caminhamos por cerca de 600 metros, arrastando nossas malas, até chegarmos à nossa hospedagem: o Residenza Le Fonticine Bed & Breakfast. Simples, aconchegante e numa localização excelente, muito perto do coração histórico da cidade.

Como sempre, eu e Igor não consultamos nada. hehehe Deixamos as malas no quarto, tomamos um banho e saímos a pé pela cidade, sem destino, sem mapa, fazendo nosso típico reconhecimento da área. Gosto desse sistema, faz com que eu me sinta mais "local", não sei como. 

Andamos alguns minutos, entrando por ruas que não conhecíamos e ao vivar a esquina avistamos uma praça. "Olha, amor! Tem alguma coisa ali, bora ver!" - disse eu, despretensiosamente. E seguimos a rua até encontrar uma das imagens mais marcantes da minha vida. "Alguma coisa ali" era somente o "Duomo" de Florença, a Catedral de Santa Maria Del Fiori, uma das mais incríveis obras gótico-renascentistas do mundo. Um colosso de arte que levou cerca de 6 séculos para ser terminada. A gente nem era "Brasil" e essa Catedral já estava em pé há quase 300 anos. 


Antes que minha consciência pudesse entender que eu estava diante do Duomo, meu cérebro já tinha enviado todo tipo de emoções para a superfície da minha pele. Meus olhos se encheram de lágrimas, minha boca ficou seca, aberta, minha respiração foi suspensa por alguns segundos, meu corpo ficou arrepiado, minhas pupilas invadidas por uma imagem cuja beleza chegava à beira da violência. Foi um sentimento inexplicável de estupefação. É isso, eu estava estupefata. Incrédula. 

Em inglês existe uma expressão que traduz bem o sentimento presente naquele momento: mind blowing, em tradução ao pé da letra seria "algo que explode sua mente". Naquele micro segundo, quando me deparei com o Duomo ao virar a esquina, tive uma sensação de que todo meu cérebro foi varrido por um tsunami de perguntas que bagunçou meus sentidos. Como conseguiram construir isso? Quem fez? Quem criou? Como tiveram essa ideia? Como desenharam? Como essa cúpula ficou em pé até hoje? Como encaixaram cada uma dessas pedrinhas? Quantas pessoas construíram isso? Quem planejou cada um desses detalhes? Por quantos anos? Como o ser humano cria coisas tão maravilhosas com a mesma maestria com que destrói?

Eu estava sobrecarregada de emoções e questionamentos, mas mais do que tudo, eu estava extremamente grata por poder testemunhar, com meus próprios olhos, a magnitude daquele lugar. Ali eu entendi por que Florença é uma cidade inesquecível e em nenhum outro momento da viagem, eu vivenciei a mesma descarga emocional que senti diante da Catedral. 


O que fizemos durante nossos 3 dias em Florença foi basicamente percorrer toda cidade a pé, sem destino, entrando no que a gente tinha vontade. Desta vez não compramos nenhum bilhete para ônibus de tour e as únicas coisas que agendamos e pagamos para entrar foram a Galeria Uffizi, a Galeria dell'Accademia e a própria Catedral de Santa Maria de Fiori. Deixamos de entrar em vários pontos turísticos porque praticamente TUDO em Florença é pago. Cada jardim, cada igreja, cada monumento e os preços eram meio salgados (tipo, 15 euros por pessoa pra cada atração). Além de tudo Florença é cara. Comer e beber na cidade tem seu custo. 

Mas mesmo não visitando cada monumento da cidade, foi simplesmente fantástico os dias que passamos lá. Florença tem uma energia jovem, pulsante, com um astral mais leve que Roma e a gente adorou a cidade que tem um visual tão medieval e inspirador. 


Florença é uma cidade para a qual eu tenho vontade de voltar. Fiquei com um gostinho de quero-mais muito grande. Então com certeza, em algum momento da minha vida em que eu queira viajar pela Toscana, obviamente tirarei uns 3 dias novamente pra ficar só em Florença e visitar tudo que não visitei na lua de mel. Mas o que eu visitei vai ficar aqui registrado em ordem não cronológica, só pra vocês anotarem as dicas aí:

Catedral de Santa Maria del Fiori


Fizemos questão de agendar os bilhetes para visitar tanto a torre quando o "Duomo" da Catedral. Ao todo, subimos cerca de 800 degraus para ter uma vista panorâmica da cidade. Esta atração, especificamente, eu não indico para pessoas que tenham vertigem, labirintite, claustrofobia ou algum tipo de dificuldade motora, porque as escadas são MUITO apertadas, escuras, cansativas e em caracol, o que dá uma certa tontura. Vi algumas pessoas bem ofegantes, com dificuldade em subir tudo aquilo e bate um certo desespero imaginar que você NÃO TEM COMO SAIR CORRENDO, porque simplesmente não dá. Posto isso, só posso dizer que a vista lá de cima é maravilhosa e valeu toda a sofrência.


Galeria dell'Accademia


Visitamos a Galeria da Academia de Belas Artes exclusivamente para ver a estátua de Davi de Michelangelo, mas não precisamos agendar os bilhetes. Compramos lá mesmo, na hora. O lugar é bem interessante e, claro, não tem apenas a estátua de Davi, mas muitas outras estátuas perfeitas e até um vídeo mostrando como esse tipo de escultura era feita. Foi o passeio mais simples, mas muito legal.


Galeria Uffizi

Outro ponto que pagamos para visitar e valeu muito a pena. Além de ser uma galeria de arte absolutamente LINDA, a Galeria Uffizi abriga uma das minhas obras de arte preferidas: a Primavera, de Sandro Botticelli. A galeria inteira, tal como o Museu do Vaticano, tem muitas obras sacras, alguns temas bem violentos, o tipo de arte que, em geral, não me agrada muito. Mas diferentemente do Vaticano, na Galeria Uffizi eu pude ver muitas das obras que aprendi no colégio, nos capítulos de história de arte. Foi como voltar no tempo e relembrar memórias tão boas. (história era uma das minhas disciplinas preferidas). E gente, pode ser bem clichê gostar de Botticelli, mas ali, no contexto das outras obras expostas na galeria, os quadros de Botticelli são um sopro de leveza e frescor.


Ponte Vecchio

De dentro da Galeria Uffizi temos uma das vistas mais bonitas para a Ponte Vecchio, uma ponte medieval de pedra, onde se ladeiam diversas lojas de jóias preciosas. A ponte é um dos mais famosos cartões de visita da cidade e, ao fim do dia, os turistas se aglomeram na ponte para ver o sol se por, pintando o Rio Arno de tons alaranjados. Infelizmente nós não tivemos a sorte de ver o por do sol. O tempo ficou meio nublado. Saímos da Galeria Uffizi, atravessamos a ponte e fomos para o outro lado da cidade, descobrir os jardins de Florença.

Outros pontos por onde passamos


O outro lado da ponte reserva muitas belezas. Florença foi uma das cidades onde mais andamos a pé e pudemos ver as coisas com mais calma. Não tínhamos mais nada agendado para visitar então apenas fomos andando, andando, até chegarmos a qualquer lugar. E chegamos a uma parte amuralhada da cidade onde visitamos vários pontos: a Praça de Michelangelo, o Jardim das Rosas, um dos poucos com entrada gratuita, a Basílica de Santa Croce, Porta San Niccolo e a Basílica de San Miniato Al Monte.

Cidade vista a partir do Jardim das Rosas
Jardim das Rosas
Basílica de San Miniato al Monte
Basílica de San Miniato al Monte
Porta San Niccolo
Basílica de Santa Croce

Florença é mesmo uma cidade magnífica e o que completou ainda mais nossa experiência e adoração pelo lugar foi que comemos muito bem por lá. Igor perseguiu uma tradicional bisteca Fiorentina, mas até o momento eu não tinha comido carne durante a viagem e pretendia me manter assim (fico mais leve!), então eu fiquei nas massas, como sempre. Comemos em alguns lugares bem legais (e lindos!), que vale a pena estarem aqui.

O Mercado Central (Mercato de San Lorenzi)


O Mercado Central foi, disparado, nosso lugar preferido pra comer. Tomamos café da manhã 2 vezes lá e almoçamos mais uma. É um grande mercado cheio de mesas coletivas e stands de diversos tipos de comida. Você vai no stand, escolhe o que quer, paga e leva pra mesa pra comer. Além do lugar ser lindo, as comidas são MUITO gostosas! Foi no Mercado Central que eu conheci o famoso Canoli! Que coisa deliciosa, gente. 

Canoli DELICIOSO de ricotta com pistache
Almoço vegetariano EXCELENTE. Muito gostoso!!

Gustavino

Descobrimos esse lugar por acaso e resolvemos entrar para Igor comer a bendita Bisteca Fiorentina. Ele achou MARAVILHOSO. Eu, particularmente, não curto comer apenas um pedaço inteiro de carne, então escolhi o spaguetti à bolonhesa que estava muito bom. O local não é barato, mas achei bem gostoso.


La Ménagère

Esse lugar foi uma grata surpresa. O La Ménagère é muito, muito lindo, um dos restaurantes mais bonitos de toda a viagem e reúne não só o restaurante em si, mas também uma floricultura e a venda de itens de decoração. A decoração do ambiente é muito charmosa e preserva a estrutura antiga do espaço. Achei a proposta muito incrível e a verdade é que eu queria morar ali dentro. É o lugar perfeito para qualquer momento: tranquilo no café da manhã, aconchegante no almoço, descontraído para um happy hour e super romântico para um jantar. 


Ah, como eu fui feliz em Florença! Que cidade inspiradora! Pessoas tocando violino na rua, artistas pintando em todos os lugares, uma cidade muito vibrante! Pra completar, todas as vezes que eu e Igor saímos pra jantar relativamente tarde, sempre encontramos muitos lugares bacanas abertos. Florença tem muitas opções pra tudo o que você imaginar: comida, lojas, artesanatos, jardins, igrejas, galerias. E os vinhos? Ah, os vinhos da Toscana, ninguém explica. 

Dicas e Considerações


1 / Como falei no início do texto, a estação de trem de Florença é a Santa Maria Novella (S.M.N) e é importante você saber disso caso vá de trem para Florença, porque existe uma parada antes.

2 / Nosso bed & breakfast era simples, mas bem aconchegante e nós optamos por não pagar o café da manhã deles. Preferimos tomar na rua.

3 / Florença é uma cidade cara, no geral, mas as lojas de fast fashion são mais baratas que em Roma.

4 / A Bisteca Fiorentina é um prato típico da cidade e quase todo restaurante tem no cardápio, mas não é todo lugar que oferece uma boa bisteca. Caso você seja bem carnívora(o), procure as melhores dicas no TripAdvisor.

5 / A maioria dos locais turísticos são pagos. Se quiserem ver tudo, preparem-se para gastar uns 80 euros (por casal) por dia, só para as atrações. 

6 / O centro histórico de Florença dá pra fazer a pé com um pouco de disposição. Andamos num raio de 7km mais ou menos e passamos pelos principais pontos turísticos da cidade.

7 / Locais como Galeria Uffizi e Catedral de Santa Maria del Fiori precisam ser agendados, mas você pode comprar os bilhetes na cidade, nos próprios locais, um dia antes.

8 / Queríamos ter visitado o famoso Jardim de Boboli, mas a Italia tinha acabado de sair de uma seca profunda e nos avisaram que o jardim não estava florido pois não chovia há meses na região. Preferimos não pagar. hehehe

9 / Florença é a capital do couro! Tudo que você quiser comprar em couro legítimo você vai encontrar lá, mas não é baratíssimo não. Sandálias, bolsas, casacos, luvas, jaquetas. Comprei uma sandália que aguentou a viagem inteira e ainda está intacta.

10 / Florença, tal como Roma, não é uma cidade "acessível", no sentido de mobilidade mesmo. Imaginem, nas Igrejas medievais não tem elevador para cadeirantes ou pessoas com qualquer tipo de dificuldade de mobilidade. Um mísero joelho podre como o meu já me fez sofrer um bocado pra subir as escadas do Duomo. Infelizmente foi um padrão que percebi nessas cidades histórias: ou os acessos são difíceis ou inexistentes.

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